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CÍRIO 2026

Casa de Plácido inicia acolhida a romeiros para o Círio 2026

Espaço recebe voluntários para acolher romeiros que chegam a Belém durante a programação do Círio

Vito Gemaque e Hannah Franco

7 de outubro de 2026 às 19:34

( Foto: Cristino Martins/O Liberal )

A Casa de Plácido foi aberta oficialmente na noite desta quarta-feira (7), no bairro de Nazaré, em Belém. O espaço recebeu dezenas de voluntários que atuarão na acolhida dos romeiros, que começam a chegar à capital para o Círio de Nazaré, ofecerendo alimentação, descanso, atendimento de saúde, massagens e cuidados com os pés.

A abertura começou às 19h, com cânticos marianos entoados pelos voluntários. Em seguida, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré entrou no espaço, marcando o início das atividades. Neste ano, 568 pessoas se inscreveram para atuar como voluntárias, distribuídas entre as equipes de liturgia, cozinha, limpeza, lava-pés e animação musical.

A Pastoral da Acolhida, responsável pelo trabalho na Casa de Plácido, completa 25 anos em 2026. Durante a abertura, os voluntários já começaram a receber os primeiros peregrinos que chegaram à capital para cumprir promessas e participar do Círio.

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Casa de Plácido funcionará 24 horas

 A Casa de Plácido funcionará de forma ininterrupta, 24 horas por dia, até as 14h de sábado (10). O atendimento será retomado em 13 de outubro, das 8h às 17h, permanecendo nesse horário até 26 de outubro.

A coordenadora da Pastoral da Acolhida, Socorro Almeida, de 66 anos, participa pela terceira vez da coordenação. Segundo ela, mais de 200 caravanas são esperadas, mas ainda não há uma estimativa fechada do número de romeiros.

Socorro Almeida, 66 anos, coordenadora da Pastoral da Acolhida.
Socorro Almeida, 66 anos, coordenadora da Pastoral da Acolhida. (Crsitino Martins/O Liberal)

“Nosso lema é acolher todos. O nosso lema é não dizer não. Isso se chama amor ao próximo. A Pastoral da Acolhida é uma obra de misericórdia. É acolher e alimentar quem precisa e lavar os pés dos peregrinos”, afirmou.

Dos 568 voluntários deste ano, 30 atuam permanentemente na pastoral. As doações destinadas aos peregrinos podem ser entregues na Casa CIM – Coração Imaculado de Maria, na Travessa 14 de Março, entre a Avenida Gentil Bittencourt e a Alameda Dom Alberto Ramos.

Pastoral da Acolhida completa 25 anos

Para o padre Raimundo Silva Jacques, da Pastoral da Acolhida, o crescimento da Casa de Plácido acompanha a expansão do próprio Círio e é resultado da participação de voluntários e devotos.

“O projeto é de Deus. Nós somos a caneta que ele escreve. Nestes 25 anos, a gente pode ver o crescimento do nosso Círio também por esta pastoral que exerce este trabalho tão legal no Círio”, declarou.

Padre Raimundo Silva Jacques, integrante da Pastoral da Acolhida.
Padre Raimundo Silva Jacques, integrante da Pastoral da Acolhida. (Cristino Martins/O Liberal)

“O Círio não é para arrumar dinheiro, mas o Círio é para arrumar verdadeiros irmãos entre nós. E esta aproximação do lava-pés, por exemplo, faz com que as pessoas se sintam profundamente tocadas e se sintam parte nossa”, completou.

Segundo ele, a estrutura cresceu desde o início do trabalho, em 2012. Entre os serviços oferecidos estão alimentação, descanso, massagens, cuidados com os pés e atendimento de saúde. “Quem diria que nós poderíamos alimentar, como no ano passado, 70 mil pessoas? Tudo aconteceu. É mais uma presença da graça de Deus na vida do povo paraense”, disse.

Jovem participa como voluntária

Entre os voluntários está Maria Eduarda Costa Baia, de 19 anos, estudante de fisioterapia e moradora da Pedreira. Ela decidiu participar após acompanhar o trabalho da pastoral e a experiência da própria família como romeira.

“É um trabalho que eu sempre admirei muito. Até o ano passado, a minha família vinha como romeiro para cá e eles sempre disseram que era um trabalho muito bonito, a recepção e o cuidado deles. Então, é algo que me inspirou muito”, contou.

Maria Eduarda Costa Baia, 19 anos, estudante e voluntária da Pastoral da Acolhida.
Maria Eduarda Costa Baia, 19 anos, estudante e voluntária da Pastoral da Acolhida. (Cristino Martins/O Liberal)

Maria Eduarda também afirmou que a participação é uma forma de homenagear a avó e cumprir promessas. Na primeira noite de trabalho, ela se emocionou ao receber os peregrinos.

“Você ser recebido por pessoas que compartilham da mesma emoção de estar aqui, acaba se emocionando também. Eu já me emocionei hoje recebendo alguns romeiros”, relatou.

Família chega de bicicleta

Entre os primeiros romeiros acolhidos estava o professor Maurício Vitor Pereira, de 34 anos, que saiu de Santa Izabel do Pará de bicicleta, acompanhado da esposa e da enteada. A família percorre o trajeto há cerca de oito anos como forma de cumprir uma promessa após a recuperação da jovem, que realizou tratamento de saúde em São Paulo.

“É uma promessa por causa da minha enteada. Ela tinha um probleminha de saúde e faz tratamento em São Paulo há uns três ou quatro anos. Ela conseguiu ficar curada, graças a Deus, e a gente paga essa promessa. Todo ano a gente vem de bike”, contou.

Maurício Vitor Pereira, 34 anos, professor e romeiro, que saiu de Santa Izabel do Pará de bicicleta.
Maurício Vitor Pereira, 34 anos, professor e romeiro, que saiu de Santa Izabel do Pará de bicicleta. (Cristino Martins/O Liberal)

A família deixou Santa Izabel por volta das 16h e chegou à Casa de Plácido aproximadamente às 19h30. Maurício destacou o acolhimento recebido após a viagem.

“Sem palavras para agradecer esse pessoal, porque a gente vem de tão longe e tem uma recepção tão boa, tão maravilhosa, com massagem, alimentação e descanso. Isso é muito bom. É muito gratificante mesmo”, afirmou.

A Casa de Plácido segue recebendo peregrinos durante a programação do Círio de Nazaré.

Casa de Plácido acolhe romeiros

A Casa de Plácido é um dos principais pontos de apoio aos peregrinos que chegam a Belém durante o Círio. O espaço oferece alimentação, descanso, atendimento de primeiros socorros, banheiros e serviços de massagem aos romeiros.

O local recebe fiéis que chegam à capital paraense a pé ou em caravanas. A estrutura funciona como ponto de acolhimento para pessoas que enfrentam longas jornadas antes das principais procissões do Círio.

Com a proximidade das grandes romarias, o movimento de peregrinos aumenta nas estradas e rodovias que dão acesso a Belém. Muitos chegam à cidade após horas ou até dias de caminhada.

A Casa de Plácido recebeu esse nome em referência a Plácido José de Souza, agricultor que, em 1700, encontrou uma pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré às margens do Igarapé Murutucu.

O achado é considerado um marco na história da devoção a Nossa Senhora de Nazaré e está ligado à origem do Círio.