Um médico do município de Abaetetuba, no nordeste paraense, usou as redes sociais na última segunda-feira (26) para anunciar que não fará mais ações de “caridade”, como doações de cestas básicas, brinquedos, agasalhos e outros tipos de ajuda a pessoas que se declaram necessitadas. A publicação ocorreu um dia após a derrota do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25).
O comunicado foi publicado pelo médico e empresário Eduardo Dias, diretor da Clínica São José, localizada no município, no próprio status do Whatsapp. A declaração provocou revolta entre moradores de Abaetetuba, que reagiram à decisão anunciada nas redes sociais. “Nem parece que tem maturidade e é um empresário de nome aqui”, “Nunca foi bondade”, escreveram alguns moradores em grupos de Whatsapp.
Segundo os moradores, Eduardo Dias vinha sendo um apoiador assíduo de Flávio Bolsonaro. A publicação ganhou repercussão em meio à polarização política que se intensificou após o resultado eleitoral, quando apoiadores do candidato derrotado passaram a compartilhar, nas redes sociais, mensagens que defendem restrições à contratação e à permanência no emprego de pessoas identificadas com o PT ou que votaram em Lula.
Entre as manifestações que circularam nas redes estão apelos como “não contrate petista”, além de mensagens que sugerem demitir funcionários por suas posições políticas e evitar a contratação de pessoas consideradas contrárias aos empresários.
Nesse contexto, o anúncio feito pelo médico em Abaetetuba também provocou discussões sobre a relação entre posicionamento político, assistência social e ajuda a pessoas em situação de vulnerabilidade. No entanto, o comunicado de Eduardo Dias não menciona diretamente a eleição nem esclarece se a decisão de interromper as ações de caridade tem relação com a derrota de Flávio Bolsonaro.
Na mensagem, a instituição informa que a decisão passa a valer a partir de 26 de outubro de 2026 e apresenta críticas às pessoas que solicitam ajuda.
“Estamos cansados de ajudar, quem não quer ser ajudado e preferem viver dos auxílios do governo!”, diz um trecho do comunicado.
A Clínica São José também relembra os 22 anos de história da instituição e afirma ter contribuído com diversas ações sociais durante esse período, incluindo a distribuição de cestas básicas, agasalhos e brinquedos.
O comunicado ainda pede desculpas às organizações não governamentais (ONGs) e aos projetos sociais que receberam apoio da clínica e agradece pelos anos de parceria.
A reportagem tenta localizar o médico para obter um posicionamento dele acerca da polêmica. O espaço segue aberto.

