A União Europeia trouxe uma nova perspectiva para as negociações de adesão da Sérvia ao bloco. O processo poderá avançar caso o movimento estudantil, vencedor das eleições no país, consiga formar um governo comprometido com o fortalecimento da democracia. Além disso, a UE sinalizou que outros países também poderão integrar o bloco nos próximos anos.
Em seu relatório anual sobre o processo de ampliação, a Comissão Europeia afirmou que Montenegro está no caminho para se tornar o 28º membro da UE em 2028. A Albânia e a Moldávia podem ingressar no ano subsequente. Já para a Ucrânia a aderência ao bloco é nula, já que pode não conseguir cumprir as condições para a adesão antes do final da década.
Durante o governo de Aleksandar Vucic, derrotado nas últimas eleições, a Sérvia avançou nas negociações para entrar na União Europeia (UE), com passos importantes na adaptação das suas leis e instituições às exigências do bloco. Apesar desses avanços, o país chegou a enfrentar um retrocesso com severas críticas à concentração de poder e ao enfraquecimento das instituições democráticas.
Em abril, a Comissão alertou que a Sérvia pode perder o acesso a cerca de 1,5 bilhão de euros em verbas, caso não interrompesse esse retrocesso. A eleição de um movimento de oposição diversificado, liderado por estudantes, que passaram dois anos protestando contra o governo de Vucic, pode abrir caminho para um recomeço com a Sérvia, um dos países de maior influência dos Bálcãs Ocidentais.
A adesão da Sérvia ao bloco europeu pode ser rápida caso o novo governo demonstre forte compromisso político com as reformas necessárias. No entanto, a formação de um novo governo em Belgrado pode demorar meses e a adesão à UE não parece ser a principal prioridade do movimento estudantil.
*Com tradução de Bianca Rocha, especial para AE.
