SEX · 02 OUT 2026Assine

MULTA

União Europeia multa AliExpress em R$ 3,2 bilhões por venda de produtos ilegais

A apuração contra a AliExpress foi iniciada em março de 2024

Gabrielle Borges

21 de julho de 2026 às 11:51

Multa é considerada de valor recorde

Multa é considerada de valor recorde ( Foto: Reprodução )

A União Europeia aplicou uma multa recorde de 550 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 3,2 bilhões, contra a AliExpress por permitir a comercialização de produtos ilegais e itens considerados inseguros na plataforma. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (20/07) pela Comissão Europeia.

Segundo o órgão regulador, a varejista online chinesa falhou em impedir a venda de mercadorias irregulares, incluindo brinquedos e cosméticos que não atendiam aos padrões de segurança exigidos pelo bloco europeu. A investigação apontou ainda que produtos falsificados e potencialmente perigosos permaneceram disponíveis para compra durante semanas.

A Comissão Europeia afirmou que a AliExpress manteve anúncios de produtos proibidos mesmo após a identificação das irregularidades. O bloco também criticou os sistemas de recomendação e publicidade da plataforma, que poderiam ampliar a divulgação de itens ilegais aos usuários.

Investigação apontou falhas na moderação da plataforma

A apuração contra a AliExpress foi iniciada em março de 2024 e analisou o cumprimento das regras previstas na Lei de Serviços Digitais da União Europeia (DSA, na sigla em inglês), que estabelece obrigações para grandes plataformas digitais.

De acordo com a Comissão Europeia, alguns produtos removidos do site voltavam a aparecer posteriormente, enquanto outros eram recomendados aos consumidores antes de serem retirados. O regulador considerou os mecanismos de controle da plataforma insuficientes para combater a circulação de mercadorias irregulares.

A União Europeia já havia acusado a empresa, em junho do ano passado, de não cumprir adequadamente as exigências de avaliação e redução de riscos relacionados à disseminação de conteúdos e produtos ilegais.

VEJA MAIS

UE quer que Meta modifique o 'design viciante' do Facebook e do Instagram Para União Europeia, Meta não avaliou adequadamente os riscos de suas funcionalidades para a saúde física e mental dos usuários

Veto da União Europeia à carne brasileira deve ter impacto indireto no Pará, avalia setor produtivo Estado não exporta carne bovina para a União Europeia e deve ter impacto reduzido

Após tarifaço, governo publica foto de Brasil de mãos dadas com EUA Imagem divulgada nas redes sociais do governo também reúne outros parceiros comerciais do Brasil, como China, Índia e União Europeia

AliExpress diz que multa é "desproporcional"

A AliExpress afirmou que considera a penalidade aplicada pela União Europeia “desproporcional” e informou que pretende recorrer da decisão. Em comunicado, a empresa declarou que possui sistemas de gerenciamento de riscos e que vem implementando melhorias em parceria com a Comissão Europeia.

O valor da multa, segundo o bloco, levou em consideração fatores como a gravidade das violações, o impacto causado aos consumidores e o período em que os problemas foram identificados. A Comissão afirmou ainda que a penalidade poderia ter sido maior caso a legislação aplicada já estivesse em vigor há mais tempo.

Além do pagamento da multa, a AliExpress deverá apresentar até 20 de outubro um plano com as medidas que serão adotadas para corrigir as falhas apontadas. Caso a empresa não cumpra as determinações, poderá sofrer novas penalidades.

UE amplia fiscalização sobre plataformas chinesas

A União Europeia tem aumentado a fiscalização sobre grandes varejistas digitais chineses, em meio a preocupações relacionadas à segurança dos produtos, concorrência e entrada de mercadorias de baixo custo no mercado europeu.

Entre as medidas adotadas pelo bloco está a criação de uma taxa de três euros sobre encomendas de pequeno valor importadas para países da União Europeia. A iniciativa faz parte de uma estratégia para reforçar o controle sobre plataformas internacionais de comércio eletrônico.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com)