O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria impedido o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, de realizar uma nova ofensiva militar contra o Irã antes das eleições legislativas norte-americanas, marcadas para 3 de novembro. A informação foi publicada nesta quarta-feira (21) pelo jornal Financial Times, com base em fontes ouvidas pela reportagem.
Segundo o veículo, as Forças de Defesa de Israel (IDF) chegaram a preparar uma campanha de bombardeios que começaria em 10 de outubro. O plano previa ataques a instalações nucleares, estruturas do governo iraniano e infraestruturas civis, como usinas de energia elétrica. A operação, no entanto, foi suspensa diante da oposição de Trump à retomada dos confrontos neste momento.
Apesar da interrupção dos preparativos, os dois governos continuam sinalizando a possibilidade de novas ações militares contra Teerã. Uma fonte ouvida pelo Financial Times afirmou que os bombardeios podem ser retomados nas próximas semanas, inclusive com participação dos Estados Unidos.
“Ou haverá um acordo ou um ataque”, declarou a fonte ao jornal. A pressão de Washington está relacionada às negociações sobre o Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano.
EUA descartam ofensiva contra o Irã antes das eleições
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, esteve em Israel na segunda-feira (19) para reuniões com Netanyahu e outras autoridades de alto escalão, segundo uma fonte israelense citada pelo Financial Times.
Durante os encontros, representantes israelenses apresentaram uma lista atualizada de possíveis alvos no Irã, elaborada a partir de novas informações de inteligência. A relação incluía instalações civis que não haviam sido atingidas nos bombardeios realizados no início do ano.
Uma das fontes ouvidas pelo jornal avaliou, porém, que os preparativos militares também poderiam funcionar como instrumento de pressão sobre o governo iraniano durante as negociações. A decisão de iniciar uma nova operação dependeria, em última instância, de Trump.
Em declaração ao Financial Times, a porta-voz adjunta da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que o Irã enfrenta dificuldades econômicas e militares. Segundo ela, as medidas adotadas pelos Estados Unidos para bloquear portos iranianos e facilitar o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz estão produzindo resultados.
Kelly também descartou uma ofensiva norte-americana antes das eleições legislativas. “Os Estados Unidos não atacarão o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato”, declarou.
Israel mantém forças em alerta máximo
O Pentágono não respondeu ao pedido de comentário do Financial Times. O gabinete de Netanyahu também não se manifestou, enquanto as Forças de Defesa de Israel se recusaram a comentar os preparativos militares.
De acordo com o jornal, as forças israelenses permanecem em estado de alerta máximo há várias semanas. Em uma medida considerada incomum, as IDF cancelaram as licenças de todos os militares a partir desta quinta-feira (22), até as eleições parlamentares de Israel, previstas para 27 de outubro.

