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Quem é Pedro Alliana, vice-presidente que deve assumir comando do Paraguai com renúncia de Peña

A possibilidade de sucessão já tinha ganhado força nesta quinta-feira, 5, após o avanço das articulações pelo impeachment de Peña

Estadão Conteúdo

5 de novembro de 2026 às 15:42

Pedro Alliana e Santiago Peña

Pedro Alliana e Santiago Peña ( Foto: Instagram @pedroalliana )

O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, deve assumir o comando do país após a renúncia do presidente Santiago Peña. Aos 52 anos, Alliana tem uma trajetória de mais de duas décadas no Partido Colorado, com passagens pelo governo regional, pela Câmara dos Deputados e pela direção nacional da legenda.

A possibilidade de sucessão já tinha ganhado força nesta quinta-feira, 5, após o avanço das articulações pelo impeachment de Peña. Alliana também é alvo de um pedido de destituição apresentado por parlamentares da oposição, mas integrantes de uma das alas do partido já manifestaram apoio à sua permanência no cargo.

Em meio à crise política envolvendo o Ueno Banke e o pedido de impeachment, Peña renunciou ao cargo nesta quinta-feira. "Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República (...) quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei", disse Peña, ressaltando que sua prioridade é "a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro".

Passagem pelo basquete

Pedro Alliana nasceu em 19 de fevereiro de 1974, em Pilar, no departamento de Ñeembucú, no sul do Paraguai. Antes de ingressar na política, trabalhou no comércio e teve passagem pelo basquete, chegando a integrar a seleção paraguaia da modalidade.

Sua carreira política começou em 2006, quando disputou a prefeitura de Pilar, sem sucesso. Em 2008, foi eleito governador de Ñeembucú, cargo que ocupou até 2012. No ano seguinte, chegou à Câmara dos Deputados, onde representou o departamento e presidiu a Casa em diferentes períodos, entre 2019 e 2022.

Alliana também comandou o Partido Colorado, oficialmente chamado Associação Nacional Republicana (ANR), entre 2015 e 2023. Durante esse período, se aproximou do movimento Honor Colorado, liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais figuras políticas do país.

Em 2023, foi escolhido para integrar a chapa presidencial de Santiago Peña. Os dois venceram as eleições daquele ano e assumiram o governo em 15 de agosto, com mandato previsto até 2028.

A ligação com Cartes é um dos principais elementos da trajetória de Alliana dentro do partido. O ex-presidente, que governou o Paraguai entre 2013 e 2018, lidera o movimento Honor Colorado e mantém influência sobre as articulações da legenda.

A relação entre os dois passou por divergências recentes, em meio às disputas internas e às movimentações para a sucessão presidencial de 2028. Nesta quinta-feira, Cartes anunciou apoio ao impeachment de Peña e se reuniu com Alliana para discutir o cenário político.

Após o encontro, integrantes do partido passaram a defender que o vice-presidente permaneça no cargo e assuma o Executivo caso Peña seja afastado.

Pela Constituição paraguaia, o vice-presidente substitui o chefe de Estado em caso de vacância do cargo. Assim, se Peña for destituído e Alliana permanecer na Vice-Presidência, ele poderá assumir o comando do país e concluir o mandato.

Os dois, no entanto, são alvos de pedidos de impeachment apresentados por parlamentares. As acusações contra Peña envolvem supostos conflitos de interesse e questões relacionadas à gestão de recursos previdenciários e ao Ueno Bank. No caso de Alliana, a oposição aponta uma suposta atuação para proteger politicamente a instituição financeira.

O processo precisa passar pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, onde são exigidos votos de dois terços para a aprovação da destituição em cada etapa.

Diante das articulações, Alliana evitou antecipar o que faria em caso de afastamento de Peña. Em entrevista ao jornal paraguaio Última Hora, afirmou estar tranquilo diante das acusações: "Estou muito tranquilo porque sei da minha inocência".