O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise política envolvendo o Ueno Bank e ao avanço das articulações por seu impeachment. Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana passa a ser apontado como possível sucessor no comando do país, caso permaneça no cargo.
Alliana também enfrenta um pedido de destituição apresentado por parlamentares da oposição, que o acusam de atuar para proteger politicamente a instituição financeira. Apesar das denúncias, integrantes do Partido Colorado (de Direita) manifestaram apoio à permanência do vice-presidente no cargo.
Nascido em 19 de fevereiro de 1974, em Pilar, no departamento de Ñeembucú, no sul do Paraguai, Alliana trabalhou no comércio antes de ingressar na política. Também teve passagem pelo esporte e chegou a integrar a seleção paraguaia de basquete.
Sua trajetória política começou em 2006, quando disputou a prefeitura de Pilar, sem sucesso. Em 2008, foi eleito governador de Ñeembucú, cargo que ocupou até 2012. No ano seguinte, chegou à Câmara dos Deputados, onde representou o departamento e presidiu a Casa em diferentes períodos, entre 2019 e 2022.
Alliana também comandou o Partido Colorado, oficialmente chamado Associação Nacional Republicana (ANR), entre 2015 e 2023. Durante esse período, aproximou-se do movimento Honor Colorado, liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais figuras políticas do país.
Em 2023, foi escolhido para integrar a chapa presidencial de Santiago Peña. Os dois venceram as eleições daquele ano e assumiram o governo em 15 de agosto, com mandato previsto até 2028.
A ligação com Cartes é um dos principais elementos da trajetória de Alliana dentro do partido. O ex-presidente governou o Paraguai entre 2013 e 2018 e mantém influência sobre as articulações da legenda.
Nesta quinta-feira (5), Cartes anunciou apoio ao impeachment de Peña e se reuniu com Alliana para discutir o cenário político. Após o encontro, integrantes do partido passaram a defender que o vice-presidente permaneça no cargo e assuma o Executivo.
Pela Constituição paraguaia, o vice-presidente substitui o chefe de Estado em caso de vacância da Presidência. Assim, Alliana poderá assumir o comando do país e concluir o mandato, caso sejam cumpridas as condições constitucionais para a sucessão.
As acusações contra Peña envolvem supostos conflitos de interesse e questões relacionadas à gestão de recursos previdenciários e ao Ueno Bank. Já no caso de Alliana, a oposição aponta uma suposta atuação para proteger politicamente a instituição financeira.
O processo de impeachment prevê aprovação por dois terços dos votos na Câmara dos Deputados e no Senado. Em entrevista ao jornal paraguaio Última Hora, Alliana afirmou estar tranquilo diante das acusações: “Estou muito tranquilo porque sei da minha inocência”.
