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Paraguai retoma impeachment e avalia renúncia; Peña deve apresentar defesa

Em pronunciamento nas redes sociais, Peña afirmou que comparecerá para exercer seu direito

Estadão Conteúdo

6 de novembro de 2026 às 08:37

( Foto: Reprodução/Agência Brasil )

O Senado do Paraguai retoma nesta sexta-feira, 6 de outubro, a sessão para analisar o processo de impeachment do presidente Santiago Peña. Peña anunciou sua renúncia ao cargo na quinta-feira, 5, em meio à crise provocada pelo colapso do banco digital Ueno.

Os senadores também precisam deliberar sobre a saída do mandatário. A decisão da Câmara dos Deputados de rejeitar a renúncia ainda depende de aprovação da Casa Alta do Congresso.

Os trabalhos serão retomados às 10 horas (horário local), com a apresentação da defesa de Peña ou de seus advogados. O cronograma prevê análise de provas, alegações finais e votação do impeachment, esperada para a noite. Não há horário definido para a deliberação sobre a renúncia.

A Defesa do Presidente Peña

Em pronunciamento nas redes sociais, Peña afirmou que comparecerá para exercer seu direito de defesa. Ele declarou: "Ainda que já tenham antecipado sua decisão, vou exercer esse direito."

Ele disse pretender apresentar argumentos e provas, considerando que prestar contas é uma responsabilidade diante da população paraguaia.

Andamento do Processo Político

A sessão começou na noite de quinta-feira, quando os senadores receberam e ouviram a acusação formal apresentada pelos deputados responsáveis pelo processo.

Os trabalhos foram encerrados por volta das 21h15, pelo horário local. O presidente do Senado estabeleceu um cronograma de cinco sessões para cumprir as etapas do julgamento, conforme o regimento interno do Congresso.

A abertura do processo de impeachment foi aprovada por unanimidade na Câmara dos Deputados, com 78 votos favoráveis. A votação ocorreu pouco depois de Peña anunciar que deixaria a Presidência.

Mesmo com a renúncia, os parlamentares decidiram encaminhar a acusação ao Senado, responsável por julgar o caso e decidir sobre a eventual destituição do presidente.

Origem da Crise e Acusações

A crise política se agravou após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank. A instituição financeira enfrentava problemas de solvência e tinha vínculos com o grupo empresarial do qual Peña foi acionista até 2025.

O colapso deixou milhões de clientes sem acesso às contas e provocou protestos em Assunção.

O presidente é acusado por parlamentares de conflitos de interesse, uso indevido de recursos de fundos de pensão e acobertamento institucional relacionado à crise da instituição financeira. As denúncias também estão sob investigação do Ministério Público paraguaio.

Consequências da Decisão Final

A definição sobre a renúncia e o impeachment tem consequências para a situação política e jurídica de Peña.

Caso a saída voluntária seja aceita pelo Congresso, o vice-presidente Pedro Alliana poderá assumir o comando do país. Peña passará à condição de senador vitalício, que prevê imunidade parlamentar.

Se for destituído por meio do julgamento político, não terá direito a essa condição.

A possibilidade de a renúncia garantir proteção contra eventuais processos judiciais também está no centro das discussões no Congresso. Parlamentares contrários à saída voluntária defendem a conclusão do julgamento político para que Peña não possa recorrer às prerrogativas do cargo de senador vitalício.