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MUNDO

Oposição pede impeachment de presidente do Paraguai

A medida ocorre um dia depois de o Banco Central do Paraguai determinar a intervenção no Ueno Bank por causa de uma grave insuficiência de capital

Estadão Conteúdo

5 de novembro de 2026 às 07:12

PRESIDENTE DO PARAGUAI,  SANTIAGO PENA

PRESIDENTE DO PARAGUAI, SANTIAGO PENA ( Foto: DAVID MAREUIL / POOL / AFP )

Deputados da oposição paraguaia protocolaram um pedido formal de impeachment contra o presidente Santiago Peña e seu vice, Pedro Alliana. A ação ocorre após um escândalo bancário que resultou no congelamento de contas de cerca de 3 milhões de cidadãos.

O deputado Mauricio Espínola, dissidente da base governista, confirmou que o documento obteve 35 assinaturas. A sessão para debater o processo de destituição está agendada para a próxima quinta-feira, dia 5 de outubro.

O escândalo teve início na terça-feira, 3, quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank devido a uma grave insuficiência de capital. O presidente Peña, empossado em 2023, possuía ações de um grupo controlador do banco, das quais se desvinculou em 2025.

Crise no setor bancário

As autoridades monetárias iniciaram um processo de dissolução do Ueno Bank, gerando incertezas sobre o destino de economias que somam centenas de milhões de dólares. A medida paralisou imediatamente as operações digitais, incluindo saques e transferências bancárias.

O Banco Central também ordenou a suspensão dos resgates em diversos fundos de investimento ligados à instituição. O anúncio provocou pânico entre os paraguaios, que foram às ruas da capital, Assunção, para exigir respostas das autoridades.

Acusações e trâmites do processo

A acusação apresentada à Câmara nesta quarta-feira, 4, pede a abertura do processo de impeachment contra Peña por "mau desempenho de suas funções". Entre as alegações, destacam-se "conflito de interesses" e a evolução de seu patrimônio.

Para que o pedido seja aprovado na Câmara dos Deputados, são necessários 53 votos de um total de 80 parlamentares. Caso seja aprovado, o Senado conduzirá o julgamento, onde 30 votos de 45 senadores podem resultar na destituição dos governantes.

O Partido Colorado, do presidente Peña, detém a maioria no Congresso. Contudo, a legenda é liderada pelo ex-presidente Horacio Cartes, figura-chave para definir a posição da base governista e que está afastado de Peña.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.