O líder da oposição israelense, Gadi Eisenkot, obteve amplo apoio parlamentar para substituir o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. Após conquistar o respaldo de partidos árabes, ele recebeu 67 indicações de deputados.
Tradicionalmente, a missão de formar governo em Israel é concedida a quem tiver mais apoio parlamentar. Netanyahu, por sua vez, teve 46 indicações, e 7 deputados se abstiveram.
Apesar do respaldo majoritário a Eisenkot, o presidente Isaac Herzog ainda resiste em nomeá-lo. Herzog, responsável por indicar o formador do governo, afirmou que revelará sua decisão no domingo, após mais conversas com líderes partidários.
Herzog busca governo de unidade
"Os resultados das consultas parecem claros. Mas a autoridade que me foi concedida por lei é a de determinar quem tem a capacidade de formar um governo, e isso não está totalmente claro à luz dos vetos mútuos entre os blocos e dentro dos próprios blocos", declarou Herzog.
Veículos israelenses indicam que Herzog trabalha nos bastidores para formar um governo de unidade nacional. Essa fórmula reuniria partidos judaicos sionistas, excluindo tanto as legendas árabes quanto as ultraortodoxas da coalizão.
Apoio árabe e protestos em Israel
A Lista Unida, principal partido árabe de Israel, anunciou seu apoio a Eisenkot na quinta-feira. O partido Ra'am, outro importante grupo árabe-israelense, já havia manifestado suporte.
"A decisão atende à demanda popular de impedir o retorno de Netanyahu ao poder", explicou a Lista Unida em comunicado. As legendas árabes elegeram 19 deputados, um número recorde para a bancada.
Simultaneamente, manifestantes se reuniram em Jerusalém. Em frente à casa do presidente, pediam um governo de unidade entre Netanyahu e Eisenkot. Em outro ponto da cidade, israelenses defendiam a participação árabe no futuro governo.
Horas antes, o partido Judaísmo Unido da Torá (JUT), aliado de Netanyahu por três décadas, optou por se abster. Essa decisão, em meio a desavenças sobre o serviço militar de estudantes religiosos, enfraqueceu as possibilidades de Netanyahu.
Cenário político e pressão sobre Herzog
O partido Yashar pediu a Herzog que indique Eisenkot, presidente da legenda. O Yashar observou que o total de apoios recebidos é o maior desde 2015 para um candidato a formar governo.
Segundo o site Times of Israel, o partido afirmou que os resultados mostram que os israelenses "optaram pela mudança" e expressaram "completa falta de confiança" em Netanyahu. "Binyamin Netanyahu é um primeiro-ministro interino liderando uma minoria de apenas 46 cadeiras", disse o partido. "Ele não tem mandato, não tem maioria e não goza da confiança do público."
São necessários 61 deputados para obter a maioria das 120 cadeiras da Knesset. Na eleição, nenhum partido conseguiu esse resultado. O bloco de Netanyahu obteve 53 assentos, enquanto o grupo opositor ficou com 48.
"Estendemos a mão para apoiar os esforços de Eisenkot e faremos o possível para afastar Netanyahu do poder", declarou Mansur Abbas, líder do Ra'am, após reunião com o presidente israelense.
Desafios para a formação do governo
Herzog tem até quarta-feira para tomar sua decisão. O candidato designado terá 28 dias para formar um governo, com possível prorrogação por mais 14 dias.
Caso o bloqueio persista após a falha do primeiro indicado, novas eleições serão convocadas. A formação de um governo de coalizão permanece complexa.
Embora o bloco anti-Netanyahu pareça favorito, internamente há resistência a alianças com partidos árabes. Aceitar um acordo com os palestinos de Israel poderia gerar repúdio de parte do eleitorado judaico.
Uma opção seria Eisenkot liderar um governo minoritário, apoiado indiretamente por votos árabes na Knesset. No entanto, Avigdor Liberman, pilar da oposição nacionalista, rejeita essa fórmula.
Netanyahu tem explorado essas resistências, atacando reiteradamente os partidos árabes e os acusando de "terroristas" que querem "islamizar Israel".
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
