O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou que o país não realizará novas eleições. A declaração reforça sua permanência no poder, frustrando as expectativas da oposição por um processo democrático. O anúncio cancela, na prática, a eleição prevista para novembro de 2027.
Ortega fez o anúncio durante as celebrações da Revolução Sandinista. Este evento, em 1979, derrubou a ditadura de Anastasio Somoza e o levou ao poder pela primeira vez. Desde seu retorno à Presidência em 2007, Ortega consolidou o controle estatal. Ele promoveu mudanças constitucionais e reprimiu a oposição.
As eleições de 2021 foram vencidas por Ortega, que prendeu seus principais adversários. Grande parte da comunidade internacional considerou este pleito ilegítimo. Os Estados Unidos, por exemplo, não reconhecem o governo de Ortega. Em seu discurso, o presidente criticou os EUA. Ele afirmou: "Não haverá mais eleições" e "Nunca, nunca, nunca" ao ser questionado sobre pleitos futuros.
Escalada Autoritaritária e Reações
A oposição e organizações de direitos humanos classificaram a declaração como uma escalada autoritária. Juan Sebastián Chamorro, ex-candidato presidencial, foi preso após 2021 e libertado em 2023. Ele afirmou que Ortega busca consolidar um regime de partido único, similar a China e Cuba.
Perseguição Política e Exílio
O grupo Mecanismo de Reconhecimento de Presos Políticos reporta 46 pessoas detidas por motivos políticos. O governo, contudo, nega a existência desses presos. Centenas de opositores, religiosos e ex-candidatos foram exilados. Eles foram enviados aos Estados Unidos e à Guatemala. Muitos perderam a cidadania e tiveram bens confiscados, relatando isolamento e tortura na prisão.
Desde 2018, o governo fechou mais de 5 mil organizações, principalmente religiosas. Milhares de pessoas foram forçadas ao exílio. Neste mês, o governo cassou em massa registros de advogados. Especialistas da ONU classificaram esta medida como um "expurgo da profissão jurídica". A informação é da Associated Press.
