O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa , Cilia Flores, se declararam inocentes nesta quinta-feira, 15, de novas acusações de tortura apresentadas contra eles nos Estados Unidos.
Algemados pelos tornozelos, Maduro e Cilia foram levados a um tribunal de Nova York para responder às denúncias reformuladas, que ampliam as acusações iniciais de tráfico de drogas e os acusam de liderar uma campanha de repressão patrocinada pelo Estado, responsável pela tortura de dezenas de vítimas, incluindo três americanos.
A denúncia abrange alegações de tortura que remontam à chegada de Maduro ao poder, em 2013, quando assumiu a Venezuela no lugar de Hugo Chávez, que morreu de câncer naquele ano.
Ao entrarem no tribunal, Maduro acenou para as pessoas e apertou a mão de um de seus advogados, Barry Pollack, enquanto Cilia deu um beijo na bochecha de um de seus advogados, Mark Donnelly.
Como já haviam feito antes, Maduro e Cilia acompanharam o processo por meio de fones de ouvido pelos quais ouviam a voz de um tradutor. Em alguns momentos, Maduro, que usava óculos, examinava os papéis à sua frente.
O ex-presidente ignorou duas vezes o pedido do juiz Alvin K. Hellerstein para que se declarasse culpado ou inocente das acusações, afirmando, por meio do intérprete, que a denúncia continha "falsas acusações e falso testemunho". Irritado, Hellerstein afirmou que registraria a declaração de inocência em nome de Maduro.
Na semana passada, quando as denúncias foram anunciadas, Pollack afirmou que Maduro nega as acusações e "aguarda a oportunidade de se defender perante a Justiça".
Segundo a denúncia, Maduro supervisionou um sistema de tortura violento que espancava as vítimas, provocava asfixia e aplicava choques elétricos. Ele é acusado de recomendar pessoalmente métodos de tortura, receber atualizações sobre o que era feito com vítimas específicas e ameaçar matar o filho de um prisioneiro como forma de tortura psicológica.
Cilia é acusada de ajudar a desenvolver o sistema repressivo e ordenar a tortura de pessoas específicas. Quando questionada sobre sua declaração de culpa ou inocência, ela disse, por meio do intérprete: "Sou completamente inocente. Não sou culpada". Ela também afirmou ter lido uma versão em espanhol da nova denúncia.
O julgamento começará em 14 de junho do ano que vem, duas semanas depois do previsto anteriormente, de acordo com um cronograma aprovado pelo juiz nesta quinta-feira. O casal deve retornar ao tribunal para outra audiência preliminar em 17 de dezembro.
No início deste ano, o casal já havia sido acusado de narcotráfico e tráfico de armas, mas se declarou inocente de ambos os crimes. A defesa argumenta que o processo deve ser arquivado com base na imunidade, uma vez que Maduro era chefe de Estado e Cilia, primeira-dama de um país estrangeiro.
Maduro e Cilia foram capturados em sua casa, em Caracas, após invasão do país por militares americanos em 3 de janeiro.
*Com informações de agências internacionais.

