Líderes de diversos países, incluindo China, Irã e Rússia, reagiram às eleições de meio mandato nos Estados Unidos nesta quarta-feira, 4. O Partido Democrata retomou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, em uma derrota significativa para o presidente Donald Trump.
A repercussão internacional evidencia a importância do cenário político americano para a geopolítica global. A vitória democrata foi vista por alguns como um revés para a ultradireita, enquanto outros observam os desdobramentos diplomáticos.
As declarações variam desde a celebração da derrota de Trump até o desejo de continuidade na cooperação, ou mesmo a esperança de esforços de pacificação. Veja como cada país se posicionou após o resultado do pleito.
Espanha e o "desmoronamento da onda ultra"
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que a "onda ultra" já "não cresce, desmorona" após a vitória democrata nos EUA. Ele mencionou a derrota dos republicanos de Donald Trump no Congresso americano como um exemplo.
"Ontem, a sociedade americana votou contra políticas que só empobrecem. Contra o ódio. Contra o machismo. Contra o negacionismo climático e contra os privilégios das elites", escreveu Sánchez no X. Ele citou o Brasil como um exemplo anterior.
Sánchez acrescentou: "Aconteceu no Brasil. Acaba de acontecer nos EUA. E acontecerá em breve na Espanha. A onda ultra à qual pretendem subir a direita e a extrema direita na Espanha já não cresce: desmorona".
O líder socialista disputará eleições gerais antecipadas em 29 de novembro. Pesquisas indicam vitória da direita, mas sem maioria absoluta, exigindo apoio da ultradireita. As eleições foram antecipadas após o Parlamento derrubar um pacote de medidas contra a crise de moradia.
A campanha espanhola foi abalada na semana passada pela catástrofe ferroviária de Urda, que deixou pelo menos 69 mortos, o segundo grave acidente com trens de alta velocidade em menos de um ano no país.
China: "Disposta a continuar trabalhando"
A China declarou estar "disposta a continuar trabalhando" com os Estados Unidos após as eleições de meio de mandato, que considerou uma questão interna do país.
Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, afirmou em coletiva: "A China está disposta a continuar trabalhando com os EUA para manter e implementar o importante consenso alcançado pelos dois chefes de Estado, fortalecer a comunicação, gerir adequadamente as divergências, ampliar a cooperação e construir uma relação sino-americana construtiva e estrategicamente estável, baseada nos princípios de respeito, justiça e reciprocidade".
Irã celebra derrota de Trump e diz "não à guerra"
O Irã adotou um tom desafiador, celebrando a rejeição ao presidente Donald Trump pelos eleitores americanos. Muitos no Oriente Médio aguardam para ver como os resultados podem afetar a guerra envolvendo o Irã.
Preocupações com o conflito, somadas à frustração com a alta dos preços, ajudaram os democratas a conquistar o controle de ambas as casas do Congresso, um revés para Trump e os republicanos.
O aiatolá Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã, declarou em carta que aqueles que esperam mudanças no comportamento dos EUA por meio de alterações partidárias estão "gravemente enganados".
A região vive semanas de tensão diante da possibilidade de os EUA retomarem operações militares em larga escala. Negociações continuam para evitar o reinício dos combates, enquanto aliados dos EUA instam Washington a não reiniciar um conflito que abalou a economia global.
Relatos indicam que o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, pressiona por mais ataques, enquanto Trump oscila entre ameaças e busca por acordo. Mohammad Bagher Qalibaf, principal negociador do Irã, escreveu no X: "Os americanos disseram NÃO À GUERRA, e nós endossamos essa mensagem".
Ele alertou: "Se o governo dos EUA trair a vontade de seu próprio povo para servir a financiadores e chantagistas internacionais, descobrirá que o nosso NÃO vem acompanhado de um pesadelo".
Confrontos militares persistem no sul do Irã e nas imediações do Estreito de Ormuz, apesar dos cessar-fogos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã advertiu Washington a não ignorar a mensagem dos eleitores americanos, alertando para "as consequências desse grave erro de cálculo".
União Europeia espera apoio à Ucrânia
A principal diplomata da UE, Kaja Kallas, expressou a esperança de que o novo Congresso dos EUA apoie a Ucrânia e intensifique a pressão sobre a Rússia. Kallas disse que Europa e Estados Unidos "são muito mais fortes juntos" para pressionar Moscou a encerrar a guerra.
Rússia espera "esforços de pacificação" de Trump
O Kremlin, por meio de seu porta-voz Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia espera que Donald Trump continue seus "esforços de pacificação" após as eleições de meio de mandato. Peskov disse a um jornalista russo que "o presidente Trump continua a exercer seus poderes. Esperamos sinceramente que ele também continue com seus esforços de pacificação".
Reino Unido foca no custo de vida
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, classificou a vitória democrata nas eleições dos EUA como uma oportunidade para o mundo se "unir" em torno da resolução dos problemas do custo de vida. Ele afirmou que "o presidente Trump aceitou os resultados, e acho que o mundo agora tem a oportunidade de se unir em torno do tema que está afetando a todos nós, que é o custo de vida".
Burnham acrescentou que não será possível reduzir os preços até que a "guerra dos Estados Unidos no Irã seja resolvida".
França: Notícia "muito boa para a democracia"
O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, considerou a vitória democrata nos EUA e o reconhecimento da derrota por Donald Trump uma "notícia muito boa para a democracia americana".
"Os resultados não são contestáveis nem estão sendo contestados. O próprio presidente dos Estados Unidos admitiu e reconheceu o desempenho excepcional dos candidatos democratas. É, portanto, uma notícia muito boa para a democracia americana", declarou Barrot.
Ele concluiu: "E uma demonstração a mais de que, em democracia, é o povo quem escreve a própria história e que ninguém, nem os algoritmos nem os interesses privados, pode fazê-lo em seu lugar".