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Jornalista Christiane Amanpour anuncia que deixará a CNN após 43 anos

Estadão Conteúdo

19 de outubro de 2026 às 18:18

Christiane Amanpour, a veterana jornalista da CNN, que começou como assistente iniciante e ascendeu a uma das correspondentes e âncoras mais visíveis da TV, reportando de zonas de guerra e pontos críticos por décadas, deixará a emissora após 43 anos.

Amanpour, principal âncora internacional da rede, reduzirá a frequência de seu programa diário, "Amanpour", na CNN International, para uma vez por semana no início de 2027, encerrando-o em maio e deixando a emissora no mês seguinte. Ela afirmou em um comunicado nesta segunda-feira, 19, que espera "novos projetos interessantes no futuro".

Amanpour, de 68 anos, também encerrará seu programa no canal PBS, "Amanpour & Co", no final do ano, conforme afirmou em um comunicado divulgado pela CNN. Ela continuará com seu podcast, "The Ex Files", com seu ex-marido, Jamie Rubin, um ex-diplomata americano.

"Após muitos meses de reflexão e algumas noites em claro, decidi me separar da CNN, minha parceira de 43 anos fantásticos!", disse Amanpour. Ela acrescentou que "sempre torcerá pela CNN e por sua história de jornalismo independente. Lembrem-se: sejam sempre verdadeiros, nunca neutros".

Razão não foi divulgada

Amanpour não deu um motivo para sua saída, nem mencionou especificamente mudanças na emissora. Mas o anúncio coincide com uma nova era na CNN, que passa a ser controlada pela Skydance.

Após um processo que durou um ano, a Paramount, pertencente à Skydance, concluiu a compra da Warner Bros. Discovery por US$ 81 bilhões em 6 de outubro. A fusão une sob o mesmo teto dois gigantes do jornalismo televisivo: CBS e CNN.

Em sua vida pessoal, Amanpour falou abertamente sobre seu diagnóstico de câncer de ovário em 2021 e duas recidivas posteriores, chamando-o de "o assassino invisível". Ela incentivou outras pessoas a "fazerem todos os exames que puderem".

Amanpour ingressou na CNN como assistente em Atlanta, em 1983. Em sua própria mensagem nesta segunda, o diretor executivo da CNN, Mark Thompson, escreveu que, na época, seu potencial não era unanimemente reconhecido.

"É sabido que um de seus chefes lhe disse, naquela época, que ela não tinha o que era preciso para se tornar correspondente internacional - ou para ocupar qualquer cargo na televisão", escreveu Thompson. "Como ela provou que ele estava errado!"

Fama veio durante primeira Guerra do Golfo

Amanpour tornou-se repórter e, sete anos depois, correspondente internacional. Ela ganhou notoriedade no início da década de 1990, cobrindo a Guerra do Golfo, conflitos no Oriente Médio e muitos outros locais críticos. Reportar sobre guerras é "um senso de missão, um senso de propósito, um senso de poder contar uma história", disse ela.

Ela tinha como objetivo levar notícias internacionais - incluindo histórias complexas - ao público americano. "Nunca acreditei que as coisas sejam complicadas demais para serem exibidas na televisão americana", disse ela à Associated Press em 2023. "Nunca tratei o público com condescendência. Nunca acreditei que eles só queiram saber o que está acontecendo no quintal de casa."

Amanpour também observou que sua criação lhe proporcionou uma perspectiva única. "Devido à minha criação - sou metade iraniana e metade britânica - tive o grande privilégio de poder ver o mundo a partir de duas perspectivas muito distintas", disse ela. "Sempre defendi a necessidade de construir pontes entre as culturas. Sei que podemos viver em um mundo que não seja 100% tribalizado."

Em seu comunicado nesta segunda-feira, Amanpour agradeceu às suas equipes de campo e equipes de produção.

"Desde minha primeira grande e empolgante missão cobrindo a primeira Guerra do Golfo, até os horrores da Guerra da Bósnia, Ruanda, Afeganistão, Ucrânia e Irã, e todos os outros momentos entre esses, foram as equipes e o companheirismo que fizeram toda a diferença", escreveu ela, "enquanto juntos lutávamos para buscar os fatos, as evidências e a humanidade, para que a CNN pudesse sempre transmitir a verdade sobre o mundo e para o mundo, sem medo nem favorecimento."

*Com informações da Associated Press (AP).