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DISCUSSÃO

Janones encontra Cristina Kirchner e articula apoio contra Milei na Argentina

Deputado discutiu com a ex-presidente argentina e Sergio Massa estratégias digitais para fortalecer a oposição nas eleições presidenciais

O Liberal

2 de novembro de 2026 às 19:01

Encontro ocorreu nesta segunda, em Buenos Aires

Encontro ocorreu nesta segunda, em Buenos Aires ( Foto: Divulgação via Folha de São Paulo )

O deputado federal André Janones (Rede-MG) se reuniu nesta segunda-feira (2), em Buenos Aires, com a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner para discutir estratégias de apoio à campanha da oposição contra o atual presidente argentino, Javier Milei.

Janones ganhou projeção durante a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2026, ao criar o canal de WhatsApp "Exército do Lula", que reuniu mais de 10,5 milhões de integrantes. O parlamentar foi apontado pelo próprio petista como um dos responsáveis pela vitória eleitoral.

Antes do encontro com Cristina, o deputado também conversou com o ex-ministro da Fazenda Sergio Massa, derrotado por Milei nas eleições presidenciais de 2023. Massa pretende voltar à disputa pelo campo peronista e concorrer à Presidência em outubro de 2027.

A possível candidatura, porém, enfrenta uma disputa interna com Axel Kicillof, atual governador da província de Buenos Aires, que também pretende representar a oposição na eleição.

Conversas

Da reunião com Massa participaram ainda os publicitários Rafael Marroquim e Chico Kertesz, que trabalharam na campanha de Lula no Brasil. Marroquim integrou a equipe no segundo turno. Os dois já foram sócios do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira.

Durante a conversa, Janones e os publicitários discutiram como reproduzir na Argentina a estratégia de mobilização digital utilizada na campanha petista, considerada um dos fatores importantes para a reeleição de Lula.

A atuação do deputado nas redes sociais transformou o chamado "método de Janones" em referência para lideranças políticas, especialmente entre setores da esquerda internacional.

Para a professora Issaaf Karhawi, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), a mobilização de pessoas reais ajuda a explicar a repercussão internacional da estratégia. Ela destaca que, durante anos, a presença da direita nas plataformas digitais também foi impulsionada por investimentos financeiros e pelo uso de robôs.

Estudos anteriores já apontavam a atuação de perfis automatizados em campanhas políticas. Em 2017, uma pesquisa do Instituto de Internet da Universidade de Oxford identificou o protagonismo da extrema direita alemã no uso de robôs no X. No Brasil, a campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL), em 2018, também foi associada a ações coordenadas com perfis falsos e contas automatizadas.

Em março de 2020, levantamento da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificou que aproximadamente 55% das publicações no X favoráveis ao então presidente Jair Bolsonaro haviam sido feitas por robôs.

Segundo Issaaf, a concentração de mais de 10,5 milhões de pessoas em um único canal de WhatsApp permitiu à campanha de Lula distribuir mensagens diretamente aos apoiadores e de forma instantânea, sem depender da entrega pulverizada de conteúdo característica das redes sociais.