Israel vai às urnas nesta terça-feira, 27, com pesquisas de opinião apontando uma disputa acirrada entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu principal adversário, o ex-chefe militar Gadi Eisenkot. O cenário também é de incerteza sobre a formação do próximo governo: nenhum dos blocos tem maioria garantida no Parlamento, e partidos árabes podem acabar sendo decisivos para a composição de uma coalizão.
Mais de 7 milhões de pessoas estão aptas a votar. Nas primeiras três horas, o comparecimento chegou a quase 17%, o maior registrado nesse período desde 1981, segundo dados preliminares da Comissão Eleitoral Central. Netanyahu votou pouco depois do meio-dia (horário local), enquanto Eisenkot visitou comunidades atingidas pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
O pleito é visto como um referendo sobre Netanyahu, o premiê que há mais tempo ocupa o cargo na história de Israel, após três anos de guerra e em meio a divisões sobre segurança, religião e democracia. O ataque do Hamas, que matou cerca de 1.200 pessoas e levou ao sequestro de outras 251, continua no centro do debate. Segundo o Instituto de Democracia de Israel, 68% dos judeus israelenses consideram o 7 de outubro um fator central na escolha do voto.
A oposição responsabiliza Netanyahu pelas falhas de segurança que permitiram o ataque. O premiê resiste à criação de uma comissão de investigação e intensificou o discurso de linha-dura, inclusive contra o Irã, ameaçado por ele com "um golpe devastador" caso ataque Israel.
O serviço militar obrigatório é outro ponto de atrito. As coalizões de Netanyahu dependem de partidos ultraortodoxos, que defendem isenções para jovens dedicados aos estudos religiosos. Eisenkot, que perdeu um filho e dois sobrinhos em Gaza, promete acabar com essas dispensas. Cerca de um quarto dos eleitores judeus considera o tema decisivo para o voto.
Mais de 36 partidos disputam a eleição, mas apenas cerca de uma dúzia deve conquistar cadeiras no Knesset. Netanyahu, de 77 anos, lidera o nacionalista Likud, enquanto Eisenkot, de 66, comanda o centrista Yashar, maior partido da oposição. Também participam da disputa o ex-premiê Naftali Bennett, aliado a Yair Lapid, e o ministro de extrema direita Itamar Ben-Gvir.
Como nenhum partido jamais conquistou sozinho a maioria parlamentar, a definição do próximo governo dependerá de negociações que podem se estender por semanas ou meses. "Nosso voto vai mudar o governo", afirmou Mansour Abbas, líder do partido árabe Ra'am, ao defender maior participação das comunidades árabes.
A questão palestina, apesar da repercussão internacional, teve pouco espaço nas campanhas. Netanyahu adotou o slogan "Direita ou Palestina" para acusar adversários de pretenderem criar um Estado palestino, mas nenhum dos principais candidatos defendeu retomar o processo de paz.
A eleição ocorre ainda sob tensões com o Irã, após a guerra iniciada conjuntamente por Israel e Estados Unidos em 28 de fevereiro. O presidente americano, Donald Trump, declarou apoio à reeleição de Netanyahu na semana passada.
A guerra em Gaza e a violência de colonos na Cisjordânia ampliaram o isolamento internacional de Israel. Há um mandado de prisão internacional contra Netanyahu, e organizações de direitos humanos e autoridades da ONU acusam Israel de genocídio, o que o governo israelense nega. O próximo governo poderá enfrentar o desafio de recompor as relações externas do país. Fonte: Associated Press.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado

