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PICHAÇÃO

Integrantes do MST picham Embaixada dos EUA no Brasil com críticas a guerras americanas

Segundo o MST, o protesto foi realizado por integrantes da juventude do movimento e do Levante Popular da Juventude

Estadão Conteúdo

13 de agosto de 2026 às 12:41

( Foto: Victor Romenior/Juventude MST )

A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília amanheceu pichada nesta quinta-feira, dia 13. O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) assumiu a autoria do ato, que criticava as ações dos EUA.

"Os EUA fazem guerra e lucram com a morte", dizia uma das inscrições, feita com tinta azul e vermelha, nos muros da representação diplomática.

Segundo nota no site do MST, o protesto foi realizado por integrantes da juventude do movimento e do Levante Popular da Juventude. O objetivo era "denunciar os impactos da política imperialista do governo norte americano".

Embaixada classifica ato como "inaceitável vandalismo"

Procurada pelo Estadão, a embaixada americana classificou o ato como "vandalismo" e disse que a atitude é inaceitável para a missão diplomática.

"A Embaixada dos Estados Unidos está ciente dos atos de vandalismo em nossas dependências. Tais atos são inaceitáveis, e estamos trabalhando com as autoridades locais. Os EUA continuam comprometidos em dialogar com o povo brasileiro e em garantir a segurança de nossos funcionários e instalações. As atividades consulares seguem normalmente", declarou a embaixada em nota oficial.

O Estadão flagrou o momento em que funcionários da representação americana trabalhavam para cobrir as inscrições com tinta, durante a manhã desta quinta-feira.

Local do protesto e simbologia usada pelo MST

A pichação foi realizada no muro lateral da sede da embaixada, localizada no Setor de Embaixadas Sul. A embaixada americana passa por uma ampla reforma de suas instalações, com policiamento da região feito pelo 5º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.

Em fotos divulgadas pelo MST em Brasília, militantes aparecem com faixas e uma bandeira americana alterada com símbolos de caveiras e bombas, que foi queimada durante o protesto. Eles também usavam chapéus com alusão às cores da bandeira americana.

"Indústria da Guerra dos EUA = mortes, fome e a destruição da natureza", dizia uma das faixas exibidas pelos manifestantes, criticando a atuação dos Estados Unidos.

Contexto e histórico de atos contra os EUA no Brasil

O texto do MST critica as guerras e operações militares dos Estados Unidos na Venezuela, no Irã e na Faixa de Gaza. O protesto faz parte da 17ª Jornada Nacional da Juventude Sem Terra e seria uma forma de homenagem ao centenário do ex-ditador cubano e líder da revolução comunista Fidel Castro.

"Na ação coletiva e pacífica, a juventude organizada protesta contra a indústria bélica e política imperialista dos EUA, que são os grandes responsáveis pela morte de milhares de pessoas, pela guerra, pela fome e por bloqueios e sanções criminosas contra os povos da América Latina e do mundo", detalha o manifesto divulgado pelo movimento.

A pichação ocorreu em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, com críticas e desentendimentos políticos, além de acusações de ingerência eleitoral, entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Também houve atos semelhantes em outras cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Recife. A Embaixada americana e suas instalações consulares pelo País têm sido alvo recorrente de protestos de organizações de esquerda.

Em 5 de janeiro, houve registro de manifestações contra símbolos americanos após a invasão militar para captura do ditador Nicolás Maduro, na Venezuela. Em 8 de março, houve novo protesto contra políticas dos EUA para a América Latina. A embaixada em Brasília também já havia sido alvo antes, com registro de pichações e danos ao patrimônio.

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