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MUNDO

ICE bate recorde de detenções de imigrantes em julho, com quase 50 mil prisões

O aumento das prisões relacionadas à imigração mostra que o governo continuou avançando com sua agenda de deportações em massa

Estadão Conteúdo

26 de agosto de 2026 às 10:53

( Foto: ICE/Divulgação )

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) prendeu quase 50 mil pessoas em julho, marcando o maior número de detenções em um único mês durante o segundo mandato do presidente americano, Donald Trump.

Este aumento de 15% em relação a junho e de 70% ante fevereiro indica a continuidade da agenda de deportações em massa do governo, apesar de uma mudança estratégica nas operações.

As ações de fiscalização migratória agora priorizam prisões que recebem menos atenção pública, em contraste com as operações de grande visibilidade que geravam forte reação popular anteriormente.

Aumento de prisões e dados cruciais

Ao todo, foram 49.571 prisões realizadas em julho. Em junho, foram 43.021 detenções, enquanto fevereiro registrou 29.241, após o aumento das operações de fiscalização em Minnesota.

Os dados sobre estas operações foram fornecidos pelo ICE ao Deportation Data Project, sediado na Universidade da Califórnia em Berkeley e na Universidade da Califórnia em Los Angeles, e analisados pela Associated Press.

As informações foram obtidas por meio de uma ação judicial baseada na Lei de Liberdade de Informação, já que o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) praticamente deixou de divulgar dados sobre fiscalização migratória no início do segundo mandato de Trump.

O projeto se tornou uma das poucas fontes de dados sobre a atuação da agência. Este aumento no número de prisões foi impulsionado também por uma onda de contratações, com o ICE realizando detenções durante abordagens de trânsito.

A agência tem se apoiado em parceiros das forças de segurança estaduais e locais, que assumem funções de fiscalização migratória. Agentes do ICE também começaram a prender pessoas do Haiti que perderam suas proteções contra a deportação.

Mark Krikorian, do Center for Immigration Studies, organização que defende restrições mais rígidas à imigração, afirmou que os novos números mostram que o governo "não interrompeu a fiscalização". Ele adicionou que "eles mudaram as táticas e, de certa forma, estão sendo ainda mais eficazes."

Evolução das táticas e atuação de Trump

Em dezembro de 2024, antes do retorno de Trump ao cargo, foram registradas pouco mais de 8 mil prisões relacionadas à imigração. Essas prisões eram, em grande parte, de imigrantes transferidos de cadeias e prisões municipais ou estaduais e entregues ao ICE para deportação.

Ao longo de 2025, primeiro ano do segundo mandato de Trump, os números começaram a subir. A administração flexibilizou restrições sobre onde e quem o ICE poderia prender, destinando bilhões de dólares à agência. Em dezembro, o número de prisões saltou para 40.177.

Após dois tiroteios fatais em Minnesota, em janeiro, que geraram protestos e forte reação de parlamentares democratas, as prisões começaram a cair em fevereiro. Depois de meses de estagnação, os números dispararam em junho e novamente em julho.

O número de prisões realizadas por departamentos de polícia estaduais e locais que mantêm parcerias com o ICE aumentou significativamente no último ano. Essas parcerias, ampliadas com incentivos financeiros, foram responsáveis por 6,5 mil prisões em julho, cerca de 13% do total.

Um ano antes, essas parcerias representavam menos de 5% das prisões mensais do ICE. Texas e Flórida responderam por quase 20 mil das prisões realizadas em julho, um sinal da importância desses estados para a agenda de deportações em massa do governo Trump.

Ambos os estados têm ampliado significativamente os acordos de cooperação com o ICE, permitindo que forças de segurança estaduais e locais atuem como braços da fiscalização migratória federal.

Um exemplo dessa cooperação ocorreu em Key West, na Flórida, onde o gerente do restaurante Half Shell Raw Bar, Bobby Kuchinsky, relatou que um funcionário imigrante haitiano foi preso pela polícia local e entregue ao ICE.

O funcionário, um haitiano de 36 anos que fugiu de seu país em 2017 e solicitou asilo nos EUA, trabalhava como cozinheiro e supervisor. Kuchinsky o descreveu como um "excelente funcionário" e "homem de família", que nunca teve problemas com a lei e era o principal provedor de sua família.

Prisões sem antecedentes criminais e táticas atuais

O secretário de Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, prometeu uma abordagem mais discreta para o ICE durante sua audiência de confirmação. No entanto, seu mandato foi marcado por tiroteios fatais envolvendo imigrantes e agentes do ICE, além da continuidade da estratégia de deportações em massa de Trump.

Anteriormente, sob a gestão de Kristi Noem, a fiscalização migratória era marcada por operações de grande visibilidade em cidades democratas como Chicago, Los Angeles e Minneapolis. Essas ações eram frequentemente divulgadas em vídeos nas redes sociais.

Para Krikorian, tais táticas estavam "provocando muitas pessoas comuns, afastando-as mesmo que fossem favoráveis à ideia de que as leis de imigração deveriam ser cumpridas".

Os dados também revelam que mais da metade dos presos em julho não havia sido condenada por nenhum crime nem respondia a acusações criminais. Menos de um quarto dos detidos havia sido condenado por algum crime.

Além disso, metade das prisões ocorreu fora do sistema prisional, indicando que agentes do ICE prenderam cidadãos em liberdade, não apenas aqueles já sob custódia policial ou em cadeias.

Patricia Quiñonez, jornalista do Utahzolanos, que cobre a comunidade de imigrantes venezuelanos em Utah, destacou o aumento acentuado de prisões relacionadas à imigração durante abordagens de trânsito nos últimos meses.

Segundo ela, a polícia para pessoas "por qualquer motivo" e "se aproveita da situação e pergunta sobre a imigração". Quiñonez acredita que pessoas com autorizações de trabalho válidas e pedidos de asilo em andamento estão sendo alvo de ações motivadas por questões raciais. (Com informações da Associated Press)

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