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escalada perigoso

Grupo apoiado pelo Irã ataca aeroporto saudita e eleva tensão no Oriente Médio

Ataque dos houthis ao aeroporto internacional de Riade, na Arábia Saudita, deixou 12 mortos, incluindo um americano e um argentino

Agence France-Presse (AFP)

11 de outubro de 2026 às 10:43

Houthis alertam para novos ataques a aeroportos da Arábia Saudita

Houthis alertam para novos ataques a aeroportos da Arábia Saudita ( Foto: Reprodução / Redes Sociais / Via Portal Metrópoles )

Os houthis pró-Irã no Iêmen reiteraram neste domingo (11) a ameaça de atacar o espaço aéreo saudita, um dia após um ataque contra o aeroporto internacional de Riade que deixou 12 mortos, incluindo um americano e um argentino, e mais de 300 feridos.

A guerra no Iêmen começou em 2014 e, um ano mais tarde, as forças governamentais iemenitas que lutam contra os houthis receberam o apoio militar de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita.

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Embora não tenham reivindicado o ataque de sábado (10), os houthis voltaram a advertir neste domingo os viajantes, funcionários e companhias aéreas para que não utilizem o espaço aéreo saudita nem os aeroportos, "exceto" os das cidades sagradas de Meca e Medina.

"Estão expostos a ataques e constituem um teatro de operações para nossas forças", afirmou na rede social X Yahya Saree, porta-voz militar dos houthis.

A autoridade de aviação civil saudita anunciou um balanço de 12 mortos e 309 feridos no sábado no aeroporto internacional Rei Khalid, mas os números podem aumentar, afirmou à AFP um diplomata ocidental em Riade.

"Quatro cidadãos sauditas, dois de Bangladesh, um americano, um egípcio, um argentino, um sírio, um palestino e um sudanês estão entre os mortos", afirmou a aviação civil.

Os combatentes pró-iranianos reivindicaram ataques contra o aeroporto de Riade na quarta e quinta-feira, que deixaram seis mortos.

A coalizão militar liderada pelo reino atribuiu aos houthis o ataque de sábado, que considera "um crime de guerra" ao qual responderá "com firmeza".

Uma fonte diplomática também atribuiu o ataque a um míssil houthi.

Este foi o ataque mais letal no reino desde agosto de 2015, quando um atentado suicida do grupo extremista Estado Islâmico (EI) deixou 15 mortos em uma mesquita localizada no quartel-general das forças especiais em Abha, no sul do reino.

A comunidade internacional condenou rapidamente o ataque.

"É inaceitável", declarou o presidente americano Donald Trump no sábado à noite. Ele acrescentou que avaliará uma possível participação dos Estados Unidos nas operações militares contra os houthis e que conversará com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, líder de fato do reino.

Aeroporto permanece fechado

"Eu vi feridos. Todo mundo corria", declarou à AFP um passageiro que aguardava um voo muito perto do terminal atingido.

Na noite de sábado, a coalizão também relatou a queda de um projétil perto do aeroporto de Dammam, no leste do reino.

O aeroporto da capital saudita permanecerá fechado no domingo, confirmaram à AFP duas fontes do setor aéreo. "As operações estão suspensas até novo aviso", declarou uma fonte, que citou danos "no radar e nos equipamentos de comunicação".

Várias embaixadas estrangeiras recomendaram a seus funcionários que evitem o aeroporto durante uma semana, afirmou um diplomata ocidental à AFP.

Os funcionários americanos na Arábia Saudita deverão solicitar, a partir de agora, uma autorização para acessar os aeroportos alternativos de Dammam e Jidá, medida que já está em vigor para o de Riade, anunciou a embaixada dos Estados Unidos neste domingo.

O reino se prepara para receber vários eventos neste mês, como a conferência anual sobre investimento, que atrai líderes estrangeiros e figuras de destaque do mundo dos negócios.

"Escalada perigosa"

Na capital, as autoridades mobilizaram médicos, que seguiram para vários hospitais.

O Ministério da Educação saudita ordenou que as escolas de Riade ofereçam aulas remotas durante uma semana.

ONU, Reino Unido, Alemanha, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Paquistão condenaram o ataque. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamou o bombardeio houthi de "escalada perigosa".

No Iêmen, as hostilidades prosseguem após a ofensiva relâmpago lançada em setembro pelos houthis, que assumiram o controle do estratégico Estreito de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho, o que desencadeou uma contraofensiva governamental.

Fontes militares do lado governamental indicaram no sábado à AFP que as forças iemenitas avançaram nos arredores do estreito.

Segundo as fontes militares e um dirigente houthi, os combatentes antigovernamentais mantêm o controle da ilha de Mayun (também conhecida como Perim), situada no coração da passagem marítima, que ganhou importância desde que Teerã passou a restringir a navegação no Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica.

A emissora Al Masirah, vinculada aos houthis, informou neste domingo sobre dois ataques sauditas contra a província da capital, Sanaa, controlada pelo movimento pró-iraniano.