Pesquisadores descobriram que os níveis de anticorpos eram três vezes maiores em pessoas que tiveram o vírus e tomaram depois uma dose da vacina da Pfizer, em comparação com alguém que nunca foi infectado, mas recebeu duas doses da mesma vacina. A vacina da Pfizer foi a primeira a receber registro definitivo no Brasil.
O estudo apontou que a diferença de anticorpos foi ainda maior quando eles compararam a pessoas que nunca pegaram covid e receberam apenas uma dose.
Mas os especialistas afirmam que a dose única produz uma resposta imunológica "robusta" em 99% das pessoas. Eles disseram que os níveis de proteção são ainda mais fortes após o imunizante de reforço.
Os dados também mostraram que a amplitude da resposta imunológica após duas doses levou a uma melhor proteção contra a variante sul-africana e outras, deixando os especialistas confiantes de que as vacinas devem ser eficazes contra variantes perigosas.
Imunidade
O estudo foi feito em 237 profissionais de saúde em Sheffield, Oxford, Liverpool, Newcastle e Birmingham. A maioria dos voluntários era do sexo feminino.
Ele mediu os níveis de anticorpos e células T, que são substâncias usadas pelo sistema imunológico para destruir o coronavírus. Níveis mais altos geralmente significam imunidade mais forte.
Os cientistas descobriram que, após uma dose da vacina, as pessoas que haviam sido infectadas com covid no passado tinham 6,8 vezes mais anticorpos no sangue do que aquelas que não tinham.
Eles tinham 2,9 vezes mais anticorpos após uma dose do que as pessoas que não foram infectadas, mas que receberam duas vacinas, o curso total da vacina.
Mas os especialistas afirmam que as segundas doses ainda são necessárias para todos, porque acredita-se que o reforço faça a imunidade durar mais tempo.
O estudo surgiu depois que as descobertas nos últimos meses mostraram que as respostas de anticorpos após uma dose são significativamente maiores em pessoas que se curam da covid.
Resultados
No novo estudo, 113 pessoas que já haviam contraído o coronavírus e 103 que nunca haviam sido infectadas receberam uma dose da vacina da Pfizer.
E 21 profissionais de saúde que não haviam contraído o vírus anteriormente receberam duas doses. Nenhum curado de covid recebeu as duas doses.
Os trabalhadores que receberam as duas doses receberam três semanas de intervalo, em linha com o que foi feito em estudos clínicos que viram a sua aprovação em dezembro.
Após uma dose, os sobreviventes do coronavírus tinham 5,9 vezes o número de células T - um tipo de glóbulo branco que se liga e mata os vírus - do que aqueles que nunca foram infectados.
A resposta das células T foi tão forte após uma dose quanto aqueles que receberam os dois jabs, mas não tiveram o vírus.
O professor Miles Carroll, virologista da Universidade de Oxford e autor do estudo, disse que é muito cedo para dizer que os sobreviventes da covid não precisam de uma segunda dose.
Ele disse: “O que você descobre é que mesmo se as pessoas já foram infectadas e receberam uma dose, algumas pessoas podem ter uma resposta realmente boa e algumas pessoas podem ter uma resposta medíocre. Portanto, tomar aquela segunda dose, mesmo que você já tenha sido infectado, é essencial para garantir que você tenha uma imunidade boa e sólida.”
