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Christa Pike está ‘furiosa e confusa’ após sobreviver a tentativa de execução, diz advogado

Estadão Conteúdo

8 de outubro de 2026 às 20:06

Christa Pike estava "irritada e confusa" ao recuperar a consciência após a tentativa fracassada de execução no Tennessee. "Ela está com raiva e confusa sobre tudo neste momento", disse Randy Spivey durante uma coletiva de imprensa após uma audiência judicial sobre a preservação de provas.

Spivey, que não estava com Pike quando ela acordou, foi informado de que suas primeiras palavras foram: "Onde estou?" e "Quem é você?".

Pike, considerada a primeira pessoa a sobreviver após receber drogas de injeção letal durante uma execução, acordou de forma surpreendente enquanto se planejava a retirada do suporte de vida, apenas seis dias depois de ter sido amarrada a uma maca na câmara de execução.

"Mas na terça-feira, para o choque de todos... Christa acordou e começou a falar", disse o advogado.

Ela foi condenada à morte pelo espancamento e esfaqueamento da colega de classe Colleen Slemmer, em 1995, está ciente do que aconteceu com ela, pelo menos até certo ponto, completou Spivey.

No entanto, ainda há muitas dúvidas sobre seu prognóstico de recuperação e se o Tennessee fará outra tentativa de executar Pike, que atualmente tem 50 anos.

Seus advogados afirmaram que ela já sofreu o suficiente e querem que o governador comute sua pena. Uma juíza em Nashville determinou ao estado que preservasse as evidências da tentativa de execução, enquanto os advogados de Pike tentam apurar mais detalhes.

A execução fracassada em 30 de setembro renovou o escrutínio sobre como os estados aplicam a pena de morte, em particular o uso da injeção letal. O Texas realizou nesta quarta a primeira execução nos EUA desde que o Tennessee tentou executar Pike.

Longa recuperação

A equipe jurídica de Pike informou que ela ainda não consegue mover os braços nem engolir e apresenta alguma confusão cognitiva. Ela também tem pneumonia e um coágulo sanguíneo no braço, disse Spivey. Suas mãos estavam extremamente inchadas quando a viram na terça-feira, 6, no hospital, algemada à cama, acrescentou ele.

Seu prognóstico permanece incerto e ela tem um longo caminho pela frente até a recuperação, disse ele.

O que aconteceu na câmara de execução ainda não está claro

O governador adiou a única outra execução prevista para este ano no estado e ordenou uma investigação sobre o que deu errado. O chefe do sistema penitenciário estadual renunciou ao cargo.

Especialistas em medicina e em injeção letal têm se concentrado na possibilidade de que um problema com a linha intravenosa tenha feito com que o medicamento se acumulasse nos tecidos da condenada, em vez de entrar na corrente sanguínea.

Os advogados de Pike escreveram em um documento judicial que "aparentemente, em nenhum momento algum membro da equipe de execução percebeu que as linhas intravenosas não estavam posicionadas corretamente ou que as veias haviam rompido". Autoridades estaduais ainda não ofereceram uma explicação.

A tentativa de execução teve início quando Pike teve a oportunidade de fazer uma declaração final. Cerca de cinco minutos depois, ela ergueu a cabeça e disse que seu braço estava doendo. Em determinado momento, ela pareceu perder a consciência, mas era possível ouvi-la respirando com dificuldade até que a imprensa fosse acompanhada para fora da sala de testemunhas, quase 90 minutos após o início da execução. Uma ambulância levou Pike a um hospital.

Joel Zivot, médico e professor de anestesiologia e cirurgia em Atlanta que atuou como perito para a equipe jurídica de Pike, disse que podem levar semanas ou meses até que se saiba exatamente como será sua recuperação e se sua capacidade mental poderá ser restaurada para que o estado possa tentar executá-la novamente.