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CASO Christa Pike

Christa Pike: emergência achou que era trote e demorou a prestar socorro após falha em execução

Christa Pike foi hospitalizada após sobreviver a duas doses de uma substância letal, administradas durante a tentativa de execução

Estadão Conteúdo

13 de outubro de 2026 às 12:02

Christa foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, sua ex-colega de escola, em 1995.

Christa foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, sua ex-colega de escola, em 1995. ( Foto: Reprodução )

O atendimento de emergência a Christa Pike, detenta que sobreviveu a uma tentativa de execução no Tennessee, foi significativamente atrasado devido a uma confusão entre equipes de socorro e autoridades penitenciárias. Minutos cruciais se passaram enquanto a veracidade do pedido de assistência era questionada.

Gravações obtidas pela Associated Press na segunda-feira, 12, através de um pedido de acesso a registros públicos, detalham a sequência de eventos. A primeira ligação para o serviço de emergência foi realizada às 20h40 de 30 de setembro, mais de uma hora após o início da tentativa de execução por injeção letal.

Contudo, o solicitante não conseguiu fornecer um código de verificação, levando o serviço de emergência a inicialmente descartar o pedido como falso. Somente cerca de meia hora depois da primeira chamada, por volta das 21h11, as autoridades penitenciárias confirmaram a legitimidade do ocorrido e autorizaram a entrada das equipes.

Christa sobreviveu a duas doses letais

Christa Pike foi hospitalizada após sobreviver a duas doses de uma substância letal, administradas durante a tentativa de execução. Ela havia sido condenada pela morte a facadas de sua colega Colleen Slemmer, em 1995, quando tinha 18 anos, e é uma das mulheres mais jovens a receber uma sentença de morte.

O protocolo estadual prevê uma segunda dose caso a primeira não seja fatal, mas não especifica procedimentos se a detenta sobreviver também à segunda injeção. A primeira ligação de emergência informava que Christa estava inconsciente e não respirava normalmente.

Pike permaneceu ligada a um respirador por vários dias. Seus advogados chegaram a duvidar de sua sobrevivência. Ela recuperou a consciência na terça-feira anterior, começou a falar e a caminhar com ajuda. No sábado, foi anunciado que ela recebeu alta e retornou à prisão feminina, onde está detida há 30 anos.

Confusão e desinformação atrasam socorro

A ligação inicial, feita por uma pessoa não identificada, relatava que uma tentativa de execução na Instituição de Segurança Máxima de Riverbend havia falhado e a detenta continuava viva. Enquanto a veracidade era verificada, as equipes de emergência mantiveram contato com a Central de Controle da prisão.

Às 21h07, um registro mostra que os representantes da prisão afirmaram que “deveriam ter sido eles a fazer a ligação”, mas que “não fizeram aquela ligação”. Perto desse horário, um socorrista relatou a presença de pessoas do lado de fora do portão da prisão, que se identificavam como autoridades estaduais e exigiam entrada, afirmando a emergência.

A Central de Controle da prisão confirmou a legitimidade da chamada e autorizou a entrada das equipes por volta das 21h11. Uma ambulância e caminhões de bombeiros chegaram ao complexo penitenciário às 21h14. Mais tarde, às 21h34, um paramédico que transportava Christa questionou a central de atendimento se a prisão sabia para onde ela estava sendo levada, dada a grande confusão.

Outras chamadas de emergência e suspensão de execuções

O Departamento de Comunicações de Emergência (DEC) divulgou as gravações recebidas pelos atendentes, embora o áudio da primeira ligação não possa ser publicamente liberado pela legislação estadual. Outras duas chamadas de emergência foram registradas.

Uma delas, às 21h08, foi feita por Kelly Gleason, uma das advogadas de Christa Pike. Ela informou que sua cliente, que estava sendo submetida a uma execução, continuava viva e necessitava de atendimento imediato para salvar sua vida.

O Departamento de Correção do Tennessee não esclareceu o que causou a falha na tentativa de execução. O governador Bill Lee suspendeu novas execuções no estado enquanto o caso é analisado. Não há informações se o estado tentará executar Christa novamente.

Especialistas médicos levantaram hipóteses para a sobrevivência de Christa, incluindo problemas na qualidade dos medicamentos ou no posicionamento das linhas intravenosas, que poderiam ter causado acúmulo da substância nos tecidos. Seus advogados já haviam informado aos tribunais e autoridades penitenciárias sobre uma doença sanguínea de Christa que poderia levar à formação de coágulos nos locais de inserção das agulhas.

*Com informações da Associated Press (AP).