As inundações devastadoras que atingiram o Nepal, na fronteira com o Tibete, causaram a morte de pelo menos 95 pessoas nesta quarta-feira (26). A tragédia também deixou centenas de turistas incomunicáveis, mobilizando equipes de resgate na região montanhosa.
O porta-voz da polícia do Nepal, Abi Narayan Kafle, confirmou as 95 mortes e informou que 28 policiais estão desaparecidos. Imagens divulgadas mostram rios transbordando e arrastando casas no distrito de Rasuwa, um dos mais afetados.
As operações de resgate seguem intensas no país, situado na cordilheira do Himalaia. O Exército mobilizou 14 helicópteros e diversas equipes para auxiliar nos trabalhos, enquanto a avaliação dos danos ainda está em andamento.
Turistas e viajantes incomunicáveis
Mais de 380 turistas, a maioria estrangeiros, ficaram incomunicáveis após o desastre. Um registro preliminar do Conselho de Turismo do Nepal identificou 384 viajantes — 291 estrangeiros e 93 nepaleses — como desaparecidos nas áreas afetadas.
As autoridades trabalham para verificar o paradeiro dessas pessoas, que incluem cidadãos da Índia, Estados Unidos, Reino Unido e Malásia. A inundação atingiu Syabrubesi, ponto de partida da popular rota de trekking de Langtang, e áreas usadas por peregrinos hindus.
Possível causa: avalanche de gelo
O primeiro-ministro Balendra Shah convocou uma reunião urgente da agência de gestão de desastres para coordenar as ações de resposta. Ele destacou o início dos trabalhos em conjunto com equipes médicas, de buscas e a Cruz Vermelha.
A inundação pode ter sido causada por uma avalanche de gelo que caiu no rio Lhende, conforme declarado por Qianggong Zhang, cientista do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD). A causa exata, no entanto, ainda será determinada pelas investigações.
No lado chinês da fronteira, no Tibete, um deslizamento de terra originado no Nepal provocou "muitas vítimas e desaparecidos no Porto Gyirong", segundo o canal público chinês CCTV. O presidente Xi Jinping ordenou mobilizar todos os recursos para as operações de resgate.
Xi afirmou que a prioridade é encontrar e resgatar os desaparecidos, além de atender rapidamente os feridos para minimizar o número de vítimas. A agência Xinhua noticiou a determinação, mas não divulgou um balanço de mortos ou feridos na China.