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MÚSICA

Apenas 10 mulheres estão entre os 100 maiores arrecadadores de direitos autorais, aponta pesquisa

Levantamento da União Brasileira de Compositores mostra que caminho contra a disparidade de gênero na música ainda é longo

Lucas Costa

3 de março de 2020 às 09:03

Ao que tudo indica, tudo se trata de uma ação de marketing para promover mais um lançamento póstumo da cantora

Ao que tudo indica, tudo se trata de uma ação de marketing para promover mais um lançamento póstumo da cantora ( Foto: Reprodução/Instagram )

Mesmo que nos últimos anos pareça que as mulheres têm tomado a frente na indústria musical brasileira, com crescimento de movimentos como o “feminejo” por exemplo; a participação feminina ainda é muito menor que a de homens na indústria fonográfica. “Por Elas Que Fazem a Música”, uma pesquisa realizada pela União Brasileira de Compositores (UBC), revelou que apenas 10 mulheres estão entre os 100 maiores arrecadadores de direitos autorais no país.

A pesquisa da UBC mostra ainda que, em 2019, as mulheres receberam somente 9% do total distribuído em direitos autorais. Os dados são referentes à terceira edição do estudo "Por Elas Que Fazem a Música". O relatório revela um verdadeiro mapeamento do papel e, fundamentalmente, representatividade feminina na música brasileira. A pesquisa completa pode ser vista no site da UBC.

A UBC tem atualmente 33 mil associados, dos quais apenas 15% são mulheres. Em 2019, o número de novas associadas cresceu 56% em relação ao último ano. No entanto, tal disparidade foi suficiente para aumentar em apenas 1 ponto percentual a representatividade de mulheres no quadro geral da entidade, atingindo 15%, contra 14 em 2018.

A pesquisa aponta também que, entre as quase 5 mil associadas, a maior concentração está no sudeste, com 64%, enquanto a região norte reúne apenas 2%. Entidade responsável distribuição de quase 60% dos direitos autorais de execução pública musical no país, a UBC revela ainda que, em 2019, a disparidade dos valores totais distribuídos também foi grande, sendo 9% para as mulheres e 91% para os homens.

Por outro lado, em relação a 2018, no último ano a participação feminina na quantidade de obras e fonogramas cadastrados cresceu notadamente em 4 categorias. Sendo 11% a mais no número de autoras, 9% como intérpretes, 11% de músicos executantes e 15% de produtoras fonográficas.

Um dado demonstra a persistência de um estereótipo: o da figura feminina na posição de diva de autores homens. Enquanto 14% das receitas masculinas são oriundas de interpretação de canções, para as mulheres este trabalho gera 27% de suas arrecadações. Homens têm 76% de receitas provenientes de suas autorias, já o total arrecadado pelas mulheres tem 66% oriundos de composições.

A pesquisa ainda mostra que, apesar do boom das plataformas de streaming, os tradicionais meios do rádio e TV aberta seguem como as maiores fontes de distribuição de direitos autorais para as mulheres, representando 25% e 20%, respectivamente. Neste ponto, salta aos olhos outra disparidade: comparada aos homens, a TV aberta foi a rubrica com a menor participação feminina (7% para mulheres contra 93% para os homens). Apesar disso, a TV permaneceu como maior fonte de rendimentos dentre o total arrecadado pelas mulheres.