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Morre Dona Déa Maiorana, presidente do Grupo Liberal

A informação foi confirmada pela família, que ainda não divulgou detalhes sobre velório e sepultamento

Fabyo Cruz
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A presidente do Grupo Liberal, Lucidéa Batista Maiorana, Dona Déa, como era respeitosamente conhecida, faleceu às 22h05 desta quinta-feria (30), aos 91 anos. A informação foi confirmada pela família, que ainda não divulgou detalhes sobre o velório e o sepultamento. À frente de um dos maiores conglomerados de comunicação da Amazônia, Dona Déa foi uma das pessoas mais influentes da sociedade paraense. Viúva do jornalista e empresário Romulo Maiorana, ela assumiu a Presidência das empresas em 1986, após a morte do marido, tornando-se o principal elo da família nos negócios.

Ao lado de Romulo, com quem teve sete filhos — Rosana, Ângela, Romulo, Rosângela, Rosemary, Roberta e Ronaldo —, participou diretamente da construção e consolidação do Grupo Liberal. O casal adquiriu o jornal O Liberal em 1966, então em crise, e o transformou em um dos veículos de comunicação mais importantes do País. A parceria também foi decisiva para a expansão do grupo nas décadas seguintes.

RESILIÊNCIA

Natural de Monte Alegre, no oeste do Pará, Dona Déa nasceu no dia 10 de maio de 1934. De origem humilde, teve uma trajetória marcada pela superação: viveu parte da infância em um orfanato e, ainda adolescente, mudou-se para Belém para morar com a avó — período em que conheceu Romulo, então vizinho.

Relatos sobre sua juventude apontam que enfrentou dificuldades severas, incluindo situações de fome, experiência que influenciou sua atuação discreta e decisiva em causas sociais ao longo da vida. Familiares a descrevem como uma mulher de personalidade forte, mas reservada, que evitava exposição pública, mesmo sendo peça central nas decisões empresariais.

“Ela nunca perdeu as raízes. Viveu uma vida modesta. Ela era movida a amor. Papai dizia que mamãe dava sorte para a gente”, lembrou Ronaldo Maiorana, CEO do Grupo Liberal. “Os dois foram construindo o Grupo pedaço a pedaço. Ao lado dele, depois que ele faleceu, ela continuou à frente de tudo”, contou, muito emocionado.

EMPRESÁRIA

Dona Déa acompanhou de perto toda a trajetória empresarial do marido e participou de momentos decisivos da modernização da imprensa no Pará, como a implantação do sistema offset no início da década de 1970, que elevou a qualidade gráfica das publicações do grupo.

Um episódio marcante ocorreu durante a inauguração da TV Liberal, em abril de 1976. Dona Déa participou das negociações para a fundação da emissora e recordou que a emoção do momento foi tão intensa que ela e o marido chegaram a adoecer. “Aquilo foi puro nervoso. O Romulo estava uma pilha e eu peguei dele a ansiedade. No fim, graças a Deus, deu tudo certo”, relatou, em livro comemorativo dos 25 anos da emissora.

Na memória dos funcionários do Grupo Liberal ficam as manifestações de preocupação de Dona Déa. “Se ela estivesse passando e visse um carro de reportagem na rua, ela parava, cumprimentava toda a equipe e perguntava com muita educação se estávamos precisando de algo. Fui repórter de O Liberal nos anos 90 e vivi muitas situações do tipo, assim como vários colegas. Ela transmitia muita paz e conforto”, conta a jornalista Lílian Oliveira, editora-chefe de O Liberal.

CRIANÇA VIDA

Muito católica, Dona Déa também teve atuação relevante no campo social e cultural. Foi uma das incentivadoras de iniciativas voltadas à educação e à arte, como o projeto Arte Pará, criado por Romulo Maiorana em 1982, que acompanhou de perto ao longo dos anos.

No início dos anos 2000, participou da criação do Instituto Criança Vida, instituição sem fins lucrativos voltada ao atendimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Em reconhecimento ao seu trabalho, recebeu diversas homenagens, entre elas o grau de comendador da Ordem do Mérito Grão-Pará, entregue pelo então governador Almir Gabriel, além da Ordem do Mérito da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), concedida em 1997. Em 2001, foi homenageada em uma campanha estadual de combate ao câncer.

Essa atuação social se manteve ao longo dos anos. Em 2024, o antigo Instituto Criança Vida foi rebatizado como Instituto Déa Maiorana (Idea), em homenagem à matriarca.

Presidida por sua filha, Rosângela Maiorana, a instituição desenvolve ações voltadas ao empreendedorismo feminino, sustentabilidade e apoio a comunidades vulneráveis, como indígenas, quilombolas e extrativistas na Amazônia.

DOCUMENTÁRIO

A relevância do casal para a história da comunicação no Pará foi resgatada também no documentário “Romulo Maiorana - 100 anos de história”, exibido pela primeira vez em novembro de 2022, que reúne imagens inéditas e depoimentos sobre a trajetória do fundador do grupo e sua parceria com Dona Déa - incluindo registros do velório do empresário, em 1986, e momentos íntimos da vida familiar.

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