Ilhas são patrimônio natural e protegem as áreas verdes da Região Metropolitana de Belém

Valéria Nascimento

Verdadeiras reservas de recursos naturais, com vastos biomas vegetais e animais, contendo vultosas massas de água doce e de resíduos da mata amazônica, as ilhas são o lar de grandes concentrações de pássaros e floras tropicais.

Esta edição do Liberal Mobiliza, do Grupo Liberal, com apoio da Guamá Tratamento de Resíduos, com sua missão de projeto com foco no meio ambiente, ouviu a arquiteta e urbanista, gerente de projetos do Laboratório da Cidade, Luna Bibas, sobre o trabalho em Belém para potencializar o valor dos recursos de uma cidade beneficiada pela natureza.

“Qual a primeira iniciativa que Belém deve tomar para minimizar o impacto ambiental? As estratégias são muitas, mas a primeira coisa que Belém deve fazer é olhar com carinho para as nossas ilhas’’, recomenda a arquiteta e professora universitária, Luna Bibas.

Luna Ribas é arquiteta e professora universitária (Arquivo pessoal)

Ela observa uma série de problemas nas ilhas do entorno de Belém pelo uso desregrado de embarcações de diferentes portes circulando sem limite de velocidade próximas às margens dos rios, o que acelera a degradação dessas beiras de rios.

“As ilhas são a massa verde da cidade, que geram uma proteção ambiental à mancha urbana de Belém e às cidades da Região Metropolitana, que têm outros cinturões verdes ao redor delas”, diz a arquiteta.

CINTURÃO VERDE

A RMB é formada pelos municípios de Ananindeua, Belém, Benevides, Marituba, Santa Bárbara do Pará e Santa Izabel do Pará e as ilhas são um cinturão verde que regula o microclima na cidade. Sobre iniciativas em Belém, Luna aponta políticas e atitudes consideradas clássicas quando se trata de proteger o que é urgente do ponto de vista da diversidade biológica, do que necessita de proteção.

“A gente vai desde a necessidade do investimento em transporte público e no transporte ativo, a bicicleta, para a diminuição da poluição atmosférica, reduzindo o uso de transporte particular, porque quanto mais carro na rua maior geração de resíduos, e também de estratégias para brecar a supressão de áreas verdes”, diz ela.

O Laboratório da Cidade, organização sem fins lucrativos, desenvolve ações com diversos parceiros para criar consciência, engajamento ativo e uma cultura coletiva que integre responsabilidades e atitudes práticas. Luna Bibas afirma, por exemplo, que há condomínios instalados em áreas verdes da capital, principalmente em áreas institucionais, e isso é um problema porque se elimina os espaços arborizados e se amplia a grande mancha cinza urbana, provocando impacto negativo no microclima local.

“Além disso, a gente deve investir em criação de jardins de drenagem e em educação ambiental, que deveria funcionar em todas as escolas, para a gente gerar um debate qualificado sobre o assunto, porque tem gente que acha que ter árvore na rua é sujeira para sua calçada, porque vai cair a folha e, simplesmente, isso vai sujar a sua calçada”.

ATIVISMO

A árvore, observa Luna, é um bem imenso ao microclima. “É um bem natural enorme e a gente não pode apenas sair cortando árvores. Sobre os resíduos, precisamos ter consciência sobre o nosso consumo, sobre a quantidade de coisas que consumimos, quanto mais a gente consome, mais lixo a gente tem para jogar fora”, diz a urbanista.

A arquiteta frisa que os sistemas de drenagem, esgoto e de abastecimento de água precisam funcionar em consonância. “É direito de todo mundo ter água, saneamento, casa para morar, está na nossa Constituição. E é direito de todo mundo também respirar um ar limpo”.

Luna Bibas cita como exemplos de ativismo com a limpeza da cidade e com os resíduos produzidos os projetos como Verde Cidadão; Canteiros Verdes-Cidade Viva; Ame; e os Amigos de Belém.

"Nós lutamos por cidades mais justas e democráticas, de apropriação coletiva, mais seguras e aprazíveis. As nossas iniciativas vão desde pequenas ações, como, por exemplo, intervenções físicas nos espaços, oficinas sobre canteiros, a importância de se ter espaços públicos, a  palestras com profissionais que trabalham com esse tipo de temática na cidade”, diz ela, que define a ação como educação cidadã, urbanismo tático, em parcerias com projetos que tenham a cidade como foco principal.

“As nossas iniciativas são sempre muito bem recebidas. No geral, as pessoas que participam gostam bastante e elas se interessam muito. As pessoas têm muito amor por Belém, têm uma afetividade muito grande pelos espaços”, conclui Luna, convocando a todos para o engajamento consciente em defesa dos espaços verdes.

 

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