Economia Verde: Reciclagem dá novos rumos ao resíduos sólidos

Transformação de material descartável em madeira biossintética reduz impactos no meio ambiente por meio de tecnologia e empreendedorismo

Valéria Nascimento

Ideias simples podem proteger o meio ambiente e ajudar a dar outro destino aos resíduos. É o caso do projeto da empresa MadTech Indústria de Impacto, que transforma caroços de açaí, cascas do cacau, plásticos, entre outros resíduos sólidos, em uma madeira biossintética. Um modelo de negócio inédito no setor moveleiro do Pará.

Graduando de Engenharia de Bioprocessos, pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Melquisedec Negrão e o sócio, Renan Brandão, mestre em Economia, criaram a MadTech, responsável pela madeira biossintética e pela metodologia “Economia Circular”, que dá destino sustentável aos resíduos industriais. 

A MadTech foi criada por Melquisedec Negrão e o sócio, Renan Brandão (Arquivo pessoal)

De acordo com o idealizador da empresa, tudo começa com a aquisição dos resíduos plásticos recicláveis e dos resíduos agroindustriais, como os caroços de açaí, cascas do cacau e da castanha-do-pará. São esses insumos que dão origem à madeira biossintética para produção de novos produtos.

“Nós os transformamos num novo material com tecnologia e maquinários próprios, para utilização em diversos setores da economia, substituindo matérias-primas como o plástico virgem e a madeira extrativa’’, destaca o universitário.

Em 2019, em razão do empreendimento inovador, o jovem empresário foi escolhido como Embaixador da Juventude pelas Nações Unidas; em 2020, Embaixador da Brazil Conference na Harvard University e no Massachusetts Institute of Technology, nos Estados Unidos.  

Melquisedec explica que a metodologia da “Economia Circular” funciona da seguinte forma: a empresa contrata a MadTech para ela dar destino sustentável para os resíduos industriais ou mesmo reinseri-los no ciclo produtivo empresarial, o que reduz custos com a compra de novos insumos e reduz drasticamente o descarte dos resíduos no ambiente. 

ECOLÓGICOS

A MadTech desenvolveu uma linha de móveis inovadores, feitos de madeira biossintética e alumínio reciclado. De acordo com o universitário, a nova madeira pode ser usada para produção de móveis mas também para fabricar embalagens, cercas, vigas para construção civil, pisos e até revestimentos.

“É a primeira linha de móveis 100% ecológicos e impressos em 3D do Brasil, com impacto economicamente viável, pois conseguimos transformar resíduos em produtos de alto valor, diminuindo significativamente a poluição do meio ambiente”, diz Melquisedec. “Estamos realizados, conseguimos criar um negócio de impacto economicamente viável, ecologicamente correto e socialmente justo.”

Aplicativo incentiva descarte correto no ambiente

Além de destinar adequadamente os resíduos sólidos, a startup Cyclage Soluções Ambientais procura também conscientizar e estimular atividades sustentáveis (Arquivo pessoal)

Os problemas ambientais são de toda ordem, a boa notícia é que há também várias iniciativas de educação e boas práticas em favor do meio ambiente. A startup Cyclage Soluções Ambientais, empresa de consultoria lançada em 2018, é um exemplo de projeto que estimula atitudes sustentáveis. 

Na prática, a iniciativa começou no bairro do Benguí, e, no momento, está suspensa devido ao cenário atual de pandemia pelo novo coronavírus. A dinâmica da empresa, no entanto, é o trabalho de conscientização ambiental que permite que as pessoas conheçam mais e melhor os materiais que podem ser reciclados e possam ter um ponto de referência para entregá-los mais perto de suas residências, fazendo o descarte correto de cada item. No Benguí, a iniciativa contou com uma rede de pessoas e entidades parceiras, como o Sebrae Pará. O ponto de referência para entrega dos resíduos sólidos, como plástico, papel e papelão, era o Espaço Social Tia Anízia. A aceitação não poderia ser melhor.

A doutora em Ciências Ambientais, cofundadora da Cyclage, Renata Câmara, recordou que no dia do lançamento do projeto, em outubro de 2018, foi arrecadada uma tonelada de material reciclável. “Toda quarta-feira, de 9h às 11h30, ficávamos no espaço para receber o material selecionado pelas pessoas. Elas levavam os itens e eram orientadas a ter novos hábitos”, recordou Câmara. 

Ela acrescentou que na medida em que as pessoas realizavam o cadastro no aplicativo Cycla, da Cyclage, recebiam uma pontuação por cada quilo de material reciclável. Após uma certa quantidade de pontos, era possível solicitar o resgate desses pontos em itens de alimentos, no mesmo valor.

Arte-educação promove conscientização ambiental

Projeto social de arte-educação Uirapuru Mirim (Divulgação)

O projeto social de arte-educação Uirapuru Mirim, desenvolvido pelo Instituto Solví, braço social da Guamá Tratamento de Resíduos, em parceria com a Associação Irmãs Auxiliadoras Déias do Brasil (AIA Déias do Brasil), está ampliando sua mobilidade entre os bairros de Marituba, adotando nova identidade: Uirapuru na Comunidade.

“Em Marituba, com o apoio do Instituto Solví e da Guamá Tratamento de Resíduos, a AIA Déias do Brasil tem desenvolvido o projeto em diversas comunidades, com profissionais locais, que desenvolvem atividades de  educação e  arte para incentivar a conscientização ambiental, despertando crianças e  famílias para adotar as boas práticas dos 3R´s (Reduzir, Reutilizar e Reciclar)”, relata Andréa Sargentelli, que conduz a AIA Déias do Brasil.

A proposta do Instituto Solví, pós-pandemia, segundo Ana Rita Lopes, que conduz o Instituto Solví, é dar continuidade ao projeto. “A capacitação, a conscientização ambiental e o apoio a um desenvolvimento sustentável através da educação e dos projetos sociais são nossas práticas permanentes e levar o Projeto Uirapuru Mirim a novas comunidades é um dos nossos objetivos, expandindo ao maior número de crianças possível”, diz.

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