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Os resíduos do açaí

Nubia Santos e Lauro Cohen

A parte comestível do fruto do açaí é apenas um pequeno fragmento que envolve a semente, constituindo 10 a 20% do fruto. Depois da extração da polpa o caroço é descartado ficando acondicionado em sacos nas ruas da cidade, sendo por vezes despejados em canais, beira de rios ou córregos, principalmente em regiões periféricas da cidade. Para aproveitar esse "lixo" e transformá-lo em matéria-prima, pesquisadores, engenheiros e designers buscam soluções de como utilizar esses resíduos em novos produtos, seja como painéis, divisórias, móveis ou objetos de design. 

Na Universidade do Estado do Pará (UEPA), o Laboratório de Materiais e Design estuda novas formas para utilização e aproveitamento dos resíduos da cadeia produtiva do açaí. Em 2014, durante a disciplina de Materiais e Processos Produtivos III do curso de Bacharelado em Design, foi colocado o desafio de usar a fibra de açaí na elaboração de um compósito polimérico, um material híbrido constituído de polímero e fibra vegetal. Os resultados se mostraram interessantes e foram aceitos para apresentação em um congresso internacional. 

Desde então buscar alternativas para o aproveitamento desse recurso se constituiu num esforço de pesquisa cada vez mais importante no laboratório. Tendo como base os 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2018 os resíduos do açaí foram inspiração para o primeiro trabalho de conclusão do curso de Design com a proposta de utilizar as fibras de açaí no desenvolvimento de um tecido biodegradável. 

Nubia Santos e Lauro Cohen (Arquivo pessoal)

Ainda em 2018, a concessão de uma bolsa de Iniciação Científica do edital de apoio à pesquisa da UEPA possibilitou a continuidade das pesquisas sobre o tecido de fibras de açaí, tendo como resultado outro trabalho de conclusão do curso de Design, em 2019. 

Além dos dois primeiros trabalhos que utilizam as fibras do caroço do açaí, foi realizado um estudo para se obter um biopolímero a partir das ráquilas da palmeira do açaí, que são os cachos de onde são extraídos os frutos. Embora não sejam resíduos direto da extração da polpa, são um material abundante que fica na floresta ou em áreas de cultivo do açaí. Dessa forma, ainda em 2019, somou-se o terceiro trabalho de conclusão com o açaí como tema no curso de Bacharelado em Design.

Os esforços na pesquisa sobre o tecido de fibras de açaí resultaram em um pedido de registro de patente junto ao Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia (NITT) da UEPA, o que mostra o potencial de inovação do material para a indústria têxtil. Outros experimentos estão sendo conduzidos no Laboratório de Materiais e Design para melhoria do tecido com fibras de açaí, e desenvolvimento de novos produtos utilizando resíduos de cadeias produtivas locais. O consumo do açaí tem relevância cultural e social para o paraense e o aproveitamento de seus resíduos pode dar um novo rumo para as economias locais.

Feito em colaboração por Nubia Santos, Coordenadora da Biblioteca de Materiais (Materioteca) da UEPA, e Lauro Cohen, designer e egresso da UEPA

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