Os desafios dos resíduos sólidos em tempo de coronavírus

Deryck Martins

A pandemia do coronavirus sem dúvidas trará impactos nas diversas vertentes da sustentabilidade: econômica, social e ambiental.

Os impactos a curto, médio e longo prazos somente serão possíveis de serem devidamente medidos com o decorrer dessa crise, porém há cenários que estão sendo desenhados por diversos especialistas que nos ajudam a vislumbrar os resultados.

Nesse artigo, procuramos compreender os desafios na gestão de resíduos sólidos urbanos frente ao contexto da pandemia do coronavírus.

Deryck Martins, engenheiro florestal e presidente do Conselho de Meio Ambiente da Fiepa (Arquivo pessoal)

A cadeia dos resíduos sólidos no Brasil e no Pará enfrenta desafios imensos para ser desenvolvida e devidamente implantada tal qual prevê a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, além de compor os desafios desenvolvidos pelo ONU.

Adicionalmente a esses desafios, enfrentamos agora a paralização momentânea dos esforços que se voltam a conter e evitar a disseminação dos efeitos da pandemia do coronavírus onde estão incluídos os elos e os agentes dessa cadeia produtiva.

Uma mudança necessária que se deve incentivar é a busca pela prática da diminuição do uso de produtos que gerem lixo e a separação desses materiais, buscando-se o que pode ser aproveitado e o que deverá ser classificado como rejeito — Deryck Martins, engenheiro florestal e presidente do Conselho de Meio Ambiente da Fiepa

Iniciamos com os aspectos sociais. Temos nessa cadeia, agentes que são parte do que classificamos como público de risco devido à exposição ao ambiente, menores rendas e menos acesso a políticas de saúde que são os catadores de materiais recicláveis. Esses agentes em grande parte desenvolvem um trabalho que é classificado como essencial a sociedade que é a retirada e destinação de resíduos sólidos das ruas e das casas.

Em curso há uma mudança na rotina das pessoas nas cidades quando na busca de isolamento social como tentativa de evitar ou diminuir a proliferação do vírus.

A permanência das pessoas em suas residências inevitavelmente será responsável por uma maior produção de lixo, ampliando a atual 0,884 Kg/habitante/dia de resíduos sólidos gerados (ABRELPE, 2019) que facilmente irá superar as quarenta mil toneladas que são geradas diariamente somente na região metropolitana de Belém e que precisarão ser recolhidas e receberem destinação adequada. Lembrando que segundo o estudo Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil elaborado pela ABRELPE, mais de 40% desses resíduos vão parar em lixões ou aterros inadequados (ABRELPE, 2019).

Uma mudança necessária que se deve incentivar é a busca pela prática da diminuição do uso de produtos que gerem lixo e a separação desses materiais, buscando-se o que pode ser aproveitado e o que deverá ser classificado como rejeito. Esse esforço deve ser de todos e utilizar parte do tempo nesse sentido será de grande valia para o funcionamento da cadeia produtiva de resíduos sólidos, uma vez que a primeira etapa é representada pela geração que ocorre dentro de nossas residências, indústrias, hospitais, etc.

Os problemas relacionados à falta de políticas de saneamento ambiental e a práticas de reciclagem podem, se devidamente direcionadas e priorizadas, serem parte fundamental da solução após a crise da pandemia do coronavirus, uma vez que a possibilidade de geração de postos de trabalho, desenvolvimento de indústrias de reciclagem, recursos prioritários para ações governamentais encontram uma perspectiva surpreendente de mobilização.

Vale ressaltar que ações de saneamento estão diretamente ligadas a menores gastos com ações de saúde pública, uma vez que diminuem as ocorrências nos casos de doenças, sobretudo aquelas de veiculação hídrica, infecções, dentre outras, além de evitarem a utilização de estruturas de saúde.

Precisamos compreender os efeitos dessa crise nas diferentes dimensões da sociedade para nos prepararmos para a retomada dos compromissos assumidos, em nível global, através dos compromissos do desenvolvimento sustentável.

Deryck Martins é engenheiro florestal e presidente do Conselho de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa)

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