É possível ter preservação ambiental urbana com atuação da sociedade através de políticas pública?

Álvaro Pinto / Especial para O Liberal

No Brasil, a intensificação do processo de urbanização ocorreu a partir da segunda metade do século XX, com estreita relação com a industrialização associado ao êxodo rural. Nosso país predominantemente agrário, em poucas décadas transformou-se “maciçamente” em urbanizado, a área urbana se tornou palco das grandes transformações socioeconômicas vigentes no país. Com a intensificação da dispersão da zona rural para a urbana e a redução da entrada de estrangeiros no Brasil, a migração entre regiões tornou-se um dos vetores mais importantes da reestruturação da economia brasileira da sua base agrário-exportadora para a urbano-industrial.

E Belém, assim como outras cidades amazônicas, não diferiu deste cenário, já que o processo urbanístico ocorreu seguindo o modelo imposto pelo período da borracha. O processo exploratório da época influenciou fortemente as relações sociais, assim como a forma de desenvolvimento da região. Sendo considerada à época como uma das melhores infraestruturas urbanas do país, que infelizmente com o findar do século passado, passou a enfrentar diferentes e complexos problemas comuns de centros urbanos como carência no saneamento básico, moradias vulneráveis, aumento da violência, aumento da produção de resíduos, entre outros.

Salienta-se que o sistema urbano imposto em Belém, assim como outras cidades do Brasil, tem grande importância social e econômica por envolver a concentração de pessoas e atividades produtivas sobre um espaço restrito, agregando maior valor sobre os produtos e serviços oferecidos. Entretanto, existe uma preocupação das inúmeras consequências que estes (produtos e serviços) podem trazer ao meio ambiente. Já que a urbanização por si só gera impactos que degradam o meio ambiente com efeitos sinérgicos e persistentes, como poluição do ar, do solo e das águas, desmatamento e perda de uma grande porcentagem de biodiversidade. Podendo vir a reduzir a qualidade ambiental urbana, sendo poucas as ações convergidas para a melhoria das condições ambientais do espaço urbano, como a criação de áreas verdes públicas por exemplo.  

Os espaços verdes assumem o papel de equilibrar o espaço modificado das cidades, parques e jardins são exigência não só para a ornamentação urbana, mas como necessidade higiênica, de recreação e principalmente em defesa do meio ambiente. O panorama que vemos em nossa cidade infelizmente é o oposto do mencionado, uma vez que temos praças e outros espaços públicos comprometidos (deteriorados) sem arborização plantada (mudas e árvores juvenis) ou estabelecida (vegetação de grande porte) ou quando existem são cortadas, extraídas ilegalmente ou mal cuidadas. A quem responsabilizar? Poder Público que não cumpriu seu papel? Ou população que se exime de responsabilidade frente a estas situações? Tais questionamentos são cruciais para o estabelecimento de mudanças de postura e atitudes, o que só será possível com as políticas certas e direcionadas que possibilitem a responsabilização compartilhada visando a preservação ambiental urbana de nossa cidade. 

Álvaro Pinto, Biólogo, Doutor em Ciências Ambientais, professor da UNAMA-Universidade da Amazônia

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