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Saúde indígena: povos Xikrin e Gavião reivindicam criação de Disei regional

Grupos de indígenas ocuparam nessa quarta-feira (22) a sede da Casai em Marabá e bloquearam a BR-222, em Bom Jesus do Tocantins

Tay Marquioro
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Um grupo de indígenas amanheceu ocupando a área externa da Casa de Saúde Indígena (Casai), em Marabá, nesta quarta-feira (22). Foi o início de uma ampla mobilização que cobra do Ministério da Saúde a criação de um Distrito Sanitário Especial Indígena (Disei) na região sudeste do Pará. De acordo com os manifestantes, no atual modelo de gestão do órgão, que tem sede em Belém, as demandas dos indígenas da região ficam reprimidas ou sem respostas em tempo hábil. "Atualmente, o Disei Guamá-Tocantins em Belém está muito distante de nós", afirmou Bekroiti Xikrin, uma das lideranças do movimento, explicando que a distância e os altos custos de transporte entre as terras indígenas do sudeste paraense e a capital dificultam, principalmente, o acesso a tratamentos de saúde intensivos.

Em outra frente, um grupo de indígenas da etnia Gavião também bloqueou o tráfego de veículos na rodovia BR-222, no trecho próximo a Terra Indígena Mãe Maria, em Bom Jesus do Tocantins. O objetivo foi reforçar a pressão sobre o Governo Federal para dialogar sobre as reivindicações. Segundo os indígenas, uma comitiva de alguns caciques das 14 etnias que vivem no sudeste paraense também foi a Brasília, para tentar conversar com o ministro Alexandre Padilha. "A nossa intenção é que eles saiam de lá com a portaria assinada para a criação do Disei Carajás", concluiu Bekroiti.

A ocupação realizada hoje expôs também o estado de abandono das obras de reforma e ampliação da Casai em Marabá. O projeto foi orçada em mais de R$ 5 milhões e a data de conclusão era 24 de março de 2025. No entanto, funcionários da Casai relataram informalmente à reportagem de O Liberal que há mais de um ano não se vêem operários tocando o trabalho. Com isso, a estrutura, que deveria oferecer alojamento, refeitório e consultórios para atendimento médico, está inacabada e sem condições de uso. Como resultado, apenas atividades administrativas estão sendo desenvolvidas na Casai. Os indígenas que precisam de atendimento médico estão sendo hospedados em um hotel, onde as equipes de saúde improvisam as consultas. 

image Funcionários afirmam que a obra está paralisada há mais de um ano (Tay Marquioro/O Liberal)

Além disso, por toda a parte é possível ver mobiliário empilhado, veículos sem manutenção e equipamentos deteriorados. "Esses veículos são importantes para quando um parente precisa de atendimento dentro da aldeia. É como a Casai pode levar médico até as terra indígenas ou podemos retirar um indígena doente para ser atendido na cidade. Nosso povo está sendo penalizado com tudo isso", explicou Takaki Xikrin, outra liderança do movimento. Um dos equipamentos que chama atenção pelo estado de abandono é uma cadeira odontológica que pode chegar a custar cerca de R$ 40 mil.

Até a conclusão desta reportagem, os indígenas ainda não tinham resposta sobre uma possível audiência com o ministro da Saúde.

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