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INVERNO

Rio Tocantins sobe e desaloja famílias em Marabá

Cheia tardia dos rios era prevista pela Defesa Civil, que precisou do apoio dos Bombeiros para remoção de desalojados

Tay Marquioro

10 de março de 2026 às 08:46

Família tiveram que deixar suas casas em três bairros e no núcleo Marabá Pioneira

Família tiveram que deixar suas casas em três bairros e no núcleo Marabá Pioneira ( Foto: Jhone Freires/Especial )

O cenário de tranquilidade que marcou o início do ano em Marabá, sudeste do Estado, deu lugar à ações de emergência nas últimas 48 horas. Após um final de fevereiro atípico e sem registros de desabrigados, o "inverno amazônico" começou a mostrar força ontem (9), quando o Rio Tocantins atingiu a marca de 10,15 metros acima do nível normal — uma subida repentina de 28 centímetros em menos de 24 horas.

A situação é agravada pela pressão do Rio Itacaiunas, que na mesma medição registrou 10,74 metros, represando as águas e elevando o risco de inundações nas áreas baixas da cidade.

A escalada do nível fluviométrico foi veloz. Em apenas 11 dias, o Tocantins subiu mais de três metros, rompendo a cota de alerta de 9 metros no dia 7 de março. Até o fechamento desta reportagem, a Defesa Civil Municipal confirmou a remoção de 18 famílias nos bairros Amapá, Filadélfia, Bela Vista e no núcleo Marabá Pioneira.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Marcos Norat, todas as famílias atendidas encontram-se na condição de desalojadas. “As 18 famílias foram encaminhadas para casas de parentes e amigos. Diferente dos 'desabrigados', que dependem de alojamentos públicos, esses cidadãos conseguiram suporte em suas redes de apoio, mas precisaram abandonar seus imóveis devido ao risco iminente", explica Norat.

A operação de retirada contou com o apoio logístico do Corpo de Bombeiros Militar, que disponibilizou caminhões para o transporte de móveis e pertences.

Apesar do susto, a Defesa Civil afirma que o município está preparado. O plano de contingência, elaborado no final do ano passado, previa uma cheia tardia, como a que ocorre agora em março.

Embora abrigos públicos ainda não tenham sido montados na cidade, a prefeitura garante que a estrutura está pronta para sair do papel. Segundo a coordenação, o órgão tem capacidade de montar até 100 unidades habitacionais temporárias por dia, distribuídas em 15 pontos estratégicos, caso o número de famílias sem destino aumente.

O volume de chuva registrado nas últimas 24 horas superou os 25 milímetros, alimentando as cabeceiras da Bacia Hidrográfica Tocantins-Araguaia. Nesta terça-feira (10), o nível do Rio Tocantins variou pouco e marcou 10,31 metros. No entanto, há um sinal de esperança no horizonte meteorológico: a previsão aponta para uma estabilidade das chuvas nos próximos dias.

Contudo, a Defesa Civil alerta que a estabilidade no céu não significa recuo imediato do nível das águas. Devido à imensa área da bacia (quase 1 milhão de km²), o escoamento das águas vindas de outros estados ainda pode manter os níveis em ascensão por algum tempo. A orientação para os moradores de áreas ribeirinhas é de vigilância total e contato imediato com os canais oficiais em caso de infiltrações ou avanço das águas. Para comunicação de situações de emergência, a Defesa Civil municipal disponibiliza o telefone (94) 99173-7173.