Paciente recebe alta e morre dez dias após atendimento em maternidade de Marabá
A família de Leudimere Silva Rodrigues aguarda laudo da necrópsia e pediu abertura de inquérito na Polícia Civil
A rotina no Hospital Materno Infantil (HMI) de Marabá foi marcada por mais uma tragédia que levanta suspeitas sobre a qualidade do atendimento prestado à população. Um novo caso de óbito veio à tona após uma denúncia formal ser levada à Polícia Civil: Leudimere da Silva Rodrigues, de apenas 28 anos, perdeu a vida depois de ser liberada pela equipe médica da unidade sem o diagnóstico correto de sua condição.
Segundo o portal Correio de Carajás, a mulher deu entrada no hospital no último dia 9. Sem identificar a real complexidade do quadro, a equipe de plantão trabalhou com a hipótese de que se tratava de uma gestação intrauterina que havia evoluído para óbito fetal. Sob essa premissa, Leudimere foi submetida a uma curetagem para a retirada do tecido e, já no dia seguinte, 10, recebeu alta.
Leudimere voltou para casa, na Vila Três Poderes, zona rural de Marabá, mas o alívio durou pouco. Durante dez dias, a jovem enfrentou dores intensas e um sangramento contínuo, quando veio a óbito, no dia 21. A suspeita da família é que a mulher passava por uma gestação ectópica, quando o feto se desenvolve fora do útero, mais precisamente em uma das trompas de Falópio.
Um médico consultado de maneira independente pela reportagem de O Liberal explicou que a estrutura da trompa não comporta o crescimento gestacional. “É uma situação que pede intervenção cirúrgica imediata. Caso contrário, o rompimento do órgão é inevitável”, disse o profissional, que preferiu não se identificar.
Assim, a hipótese é de que a trompa se rompeu enquanto a jovem estava em casa, provocando uma grave hemorragia interna. Conforme a situação se agravava, a família buscou ajuda no posto de saúde da Vila Três Poderes. No entanto, a unidade local não dispunha da estrutura necessária para conter um quadro com essa gravidade. Sem o suporte adequado no momento crítico, Leudimere não resistiu.
Diante disso, o corpo da mulher passou por exame de necropsia da Polícia Científica e a família registrou boletim de ocorrência na 21ª Seccional de Polícia Civil, solicitando a abertura formal de uma investigação sobre o caso. O laudo pericial que pode apontar a real causa da morte sai em aproximadamente 30 dias.
Questionada pela reportagem de O Liberal sobre o caso, a assessoria da imprensa do Hospital Materno Infantil, que integra a rede municipal de saúde, informou que um procedimento administrativo será instaurado para apurar a assistência prestada à paciente. No entanto, de acordo com nota enviada à redação, até o momento, não há elementos que mostrem uma relação entre o atendimento realizado e a morte de Leudimere. A reportagem também pediu dados sobre mortes materno-fetais na unidade, mas, até a conclusão desta matéria, ainda não tinha confirmação destes números.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA