Evento em Marabá celebra memória das populações tradicionais sobre a Transamazônica e BR-163
Projeto Jornada Sociocultural 50+50 fez uma apresentação de seus resultados com exibição de filmes, depoimentos e lançamento de livro
Marabá, no sudeste do Estado, recebeu nesta quarta-feira (3) a Devolutiva Pública do Projeto Jornada Sociocultural 50+50. A iniciativa é alusiva aos 50 anos de construção da Transamazônica e da BR-163, duas rodovias federais que são consideradas verdadeiros marcos na história da ocupação e integração da região amazônica.
O objetivo do projeto foi reunir depoimentos, experiencias e vivências sobre o quanto a implantação dessas rodovias transformou as dinâmicas sociais da região. A ideia é ter um resgate de memórias e estimular reflexões sobre o processo de colonização.
A jornada sociocultural foi desenvolvida a partir de uma cooperação técnica entre a Secretaria de Estado de Cultura do Pará (SECULT), a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP), prefeituras, institutos federais e universidades parceiras.
O evento foi desenhado para prestar contas e devolver à sociedade civil, a pioneiros e a autoridades regionais os frutos de um extenso levantamento documental. As pesquisas mergulharam nos impactos sociais, ambientais e econômicos que moldaram a vida de milhares de famílias estabelecidas nas bacias hidrográficas do Xingu, Tapajós e Araguaia-Tocantins.
“O projeto 50+50 foi colocado poara que nós pudessemos fazer um balanço de tudo o que foi feito nesses 50 anos. E, dentro desse projeto, são estudados só o desenvolvimento trazido por esses empreendimentos, mas também como eles de alguma forma contribuíram para o processo de colonização da região e trazendo muita destruição”, explicou Junior Vaz Canaã, que atuou como monitor cultural da Jornada na bacia Araguaia-Tocantins.
A agenda no Teatro Municipal Eduardo Abdelnor também marcou o lançamento de dois curtass metragens e um longa, produzidos a partir do acervo captado pelo projeto. Ao todo, foram mais de 130 depoimentos inéditos em áudio e vídeo — relatos de quem vivenciou a abertura das estradas na própria pele.
Professora universitária, Marlene Borges
“É uma pesquisa que se debruça sobre esses projetos, mas que traz um olhar sobre as pessoas afetadas por esses empreendimentos. Quando a gente fala em comunidades tradicionais, são indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pessoas que viveram a Guerrilha do Araguaia, gente que teve suas características socioculturais modificadas a partir da implantação das rodovias. Essa é a maior riqueza desse estudo”, avalia a professora universitária Marlene Borges.
O ponto alto da programação foi a realização de uma cerimônia que homenageou mais de 100 lideranças regionais. O tributo buscou reconhecer a coragem e a resistência de grupos populacionais que contribuíram para erguer o sul e o sudeste paraense.
A Devolutiva foi idealizada para ser uma itinerância e o sudeste paraense foi a primeira região a recebê-la. Mas o projeto percorrerá outras cidades-polo do interior paraense ainda em junho. No dia 12, a estrutura desembarca em Santarém, cobrindo a bacia do Tapajós e o Baixo Amazonas. No dia 19 de junho, será a vez de Altamira, na bacia do Xingu, receber a programação.
O debate também ganhará eco institucional e político em outras regiões. Entre os dias 15 e 19 de junho, a capital federal, Brasília (DF), recebe uma exposição exclusiva do acervo. No dia 29 de junho, Belém sedia uma Sessão Especial na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa).
O desfecho da agenda do Projeto 50+50 retorna a Brasília no dia 7 de julho, onde a Câmara dos Deputados realizará uma Sessão Solene pela manhã, seguida por uma Audiência Pública à tarde para debater os desdobramentos socioambientais e os dados colhidos pela pesquisa.
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