Retomada econômica deve ter planejamento

Necessidade de isolamento criou novas oportunidades para o comércio e varejo

Abílio Dantas

Retomada econômica não pode ser sinônimo de desrespeito às medidas de segurança sanitária. É o que afirmam pesquisadores de administração e de direito no Pará diante do anúncio de melhora dos indicadores econômicos do Estado, como o aumento de receita do ICMS. Para os especialistas, é preciso agora respeitar ainda mais os direitos dos trabalhadores e clientes e atentar para formas de controle dos gastos.

O professor de Administração do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), Caio Fanha, destaca a gestão de perdas como ponto a ser atentado pelos empresários, tendo em vista a diminuição nas receitas trazida pela pandemia. “É necessário fazer um estudo interno dos custos, desperdícios e fazer um programa de gestão de perda. Assim achamos os gargalos dos negócios e melhoramos nossos resultados”.

Com a pandemia, é notório que houve mudanças no comportamento dos consumidores. Para Caio Fanha, reside aí o segundo ponto fundamental: a relação com os clientes. É necessário, segundo ele, entender quais são as melhores formas de aproximar o público não apenas para a primeira compra, mas visar uma relação a longo prazo, que possa atrair também novos clientes. Como aliados, ele elenca técnicas e ferramentas da administração de empresas.

"Precisamos aproveitar o potencial que temos para tornarmos nossos produtos ainda mais competitivos" — Caio Fanha, professor de Administração do Cesupa

Caio Fanha (Arquivo pessoal)

TÉCNICAS

“Os administradores precisam mapear os seus clientes, pois não devem ainda querer captar novos, mas sim retomar os antigos, na busca da retenção deles. É importante fazer um estudo sobre quanto tempo o cliente passa se relacionando com a marca. Lembrar que o foco não é a primeira venda, mas criar relação. E pensar em um aumento do ticket médio dos produtos, para que, com novos oferecimentos, aumente a receita e a rentabilidade”, ensina o professor.

Os conceitos de “cross selling” e “up selling” também devem ser considerados. Os termos são estratégias para fazer com que os clientes sejam atraídos a comprar mais. “Precisamos aproveitar o potencial rico que temos (no Pará) para tornarmos nossos produtos ainda mais competitivos. Não devemos trabalhar apenas como uma colônia. É preciso verticalizar a produção aqui. Desse jeito, fortaleceremos nossa economia”, afirma.

A necessidade de isolamento criou novas oportunidades para o comércio e varejo. De acordo com o administrador, foi derrubado o mito de que a venda presencial é a única maneira de fazer negócios. “Vemos a Amazon, a Magazine Luiza, que entenderam qual seria a nova dinâmica e, por já terem uma musculatura no formato e-commerce (comércio eletrônico), foram à frente. Temos agora a oportunidade de fortalecer nosso varejo online para termos uma retomada segura”.

DIREITO

Para Amanda Ramalho, advogada e professora de Direito Empresarial do Cesupa, a retomada econômica não pode ser feita com violações de Direitos Humanos, que levem ao aumento de casos de covid-19 e consequente retorno de medidas como o “lockdown” (bloqueio de emergência).

Amanda Ramalho (Arquivo pessoal)

O planejamento financeiro que deve ser feito pelos empresários, para a advogada, precisa incluir o respeito aos direitos do consumidor e dos trabalhadores, às questões sanitárias, às medidas de segurança e prezar por um atendimento condizente ao momento que ainda estamos vivendo, de risco de contaminação. “Temos a cultura de achar que está tudo bem ou de cumprir as regras só até certo momento. Precisamos nos manter firme e seguir respeitando as medidas sanitárias para que esse ‘novo normal’ seja efetivamente seguro. Para que o nosso retorno da economia não importe em violação de direitos”.

“Com a relação às normas trabalhistas é preciso dar Equipamentos de Proteção Individual (EPI) aos trabalhadores, fornecer álcool em gel, máscara, e garantir o distanciamento seguro entre as pessoas. Se possível, fazer revezamento entre os funcionários e sempre respeitar a lotação dos espaços”, detalha a professora.

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