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Início do ano exige cuidado com o endividamento exagerado

Procura por crédito extra para pagar as contas do início do ano pode comprometer as contas para o restante do ano. Por isso, é preciso cautela

Elisa Vaz

Despesas extras do início do ano podem provocar endividamento caso não haja planejamento financeiro. Um levantamento realizado pela empresa Bom Pra Crédito mostrou que a demanda por empréstimos no primeiro trimestre de cada ano costuma ser 20% maior que a média dos trimestres anteriores.

O que pode causar essa busca por crédito extra, segundo a pesquisa, são os compromissos com tributos como o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), além de matrículas dos filhos em escolas e cursos, compras de material escolar e ainda os gastos das festas de final de ano.

A economista Guaraciaba Sarmento explica que esse excesso de endividamento e a busca por dinheiro extra no início do ano é um comportamento de quem não se planeja financeiramente. “Muitas pessoas esquecem que em dezembro e janeiro há dívidas a mais, que não estamos acostumados nos outros meses, e não incluem esses gastos no orçamento ao longo do ano. Quando chega a hora de pagar se enrolam”, diz.

Segundo a especialista, os empréstimos só são vantajosos quando a dívida pode ser quitada em desconto à vista, como pode ser o caso do IPTU, ou quando o gasto pode ser negociado, caso o consumidor tenha débitos com conhecidos ou mesmo em lojas pequenas. A principal dica de Sarmento é calcular, no geral, quanto será necessário para quitar todas as dívidas, e dividir as parcelas de maneira que, mensalmente, seu pagamento não supere 5% da renda líquida do trabalhador.

“Não adianta emprestar o dinheiro extra e na hora de pagar utilizar um recurso que não poderia ser gasto, porque a pessoa vai precisar usar o cartão de crédito para suprir essa despesa e vai dar no mesmo, sem falar dos juros. O mercado estabelece que as dívidas não superem 30% da renda, então apenas para essas situações excepcionais, como empréstimos, é bom que não passe de 5%. Então se uma pessoa recebe R$ 3 mil por mês, vai utilizar R$ 150 por mês para quitar o débito”, comenta.

No entanto, a economista lembra que, quanto maior o tempo de pagamento na tomada do empréstimo, maior será o desembolso e, por sua vez, o valor pago no final. Para evitar esse excesso de tarifas em longo prazo, o ideal, de acordo com Sarmento, é buscar empréstimos com amigos e familiares que tenham dinheiro sobrando no orçamento mensal. “Se você tiver um familiar que possua reserva e possa emprestar é a melhor opção. Caso contrário, antes de efetivar um empréstimo pelas instituições bancárias, é importante que analise as modalidades, porque, apesar da redução da taxa Selic, as tarifas praticadas na oferta de dinheiro ao consumidor ainda são altas”, pontua. Ela também destaca que algumas modalidade, como o crédito consignado, são mais em conta, porque os juros praticados são menores.

Planejamento é a recomendação

A bancária Andressa Oliveira, de 33 anos, concorda com a economista que a melhor saída para não se endividar e gastar mais do que se deve é o planejamento financeiro. Todo início de ano, ela e o marido, Cristiano, pagam impostos como IPTU e IPVA, além do seguro do carro e as despesas das festas de fim de ano e presentes de Natal. No entanto, mesmo com uma filha pequena, de pouco mais de um ano, a família é controlada.

Os gastos fixos, como as contas de energia elétrica, manutenção do carro, supermercado, condomínio, internet e pagamento de uma babá e uma diarista, comprometem cerca de 60% da renda do casal. Do restante, de 15% a 20% é guardado mensalmente. “A saída que encontramos para não ficarmos endividados é economizar durante o ano todo para as despesas extras do início do ano, que são muitas. Todo mês guardamos parte do salário e também evitamos gastar com coisas desnecessárias e que estão fora da nossa condição financeira”, explica. Andressa e o marido, que é comerciante, também guardam parte do décimo terceiro salário para complementar o pagamento de despesas.

Uma maneira de controlar o que é gasto e o que é investido ou guardado, segundo Andressa, é criar uma planilha. “Sempre anoto todos os meus gastos, porque acho que fica mais fácil de me organizar financeiramente e rever o que podemos economizar”, diz a bancária. A economista Guaraciaba Sarmento ainda indica ter sempre o controle das finanças, montar um orçamento pessoal ou familiar, cortar gastos, não comprar mais que o essencial e buscar aumentar a renda.

Veja dicas para não cair em armadilhas no começo do ano

► Pé-de-meia
Se ainda tiver sobrado alguma parte do 13º, ela já deve ter destino certo: as despesas de início de ano. O verão é tempo de descanso, mas também de comprar material escolar para as crianças, pagar a matrícula e recolher impostos que pesam muito no bolso, como o IPVA (do carro) e o IPTU (da casa).

Planilha
Aproveite o ritmo mais lento desses dias e tire algumas horas para refazer as contas e identificar o valor da renda que já está comprometido com dívidas do ano passado. Fazer uma planilha com as despesas de 2019 ajuda a ter uma visão mais realista do tamanho do desafio financeiro pela frente.

Tudo de uma vez
Se possível, pague as dívidas à vista. Parece óbvio, mas muita gente acaba optando por parcelar e se perde nas contas quando despesas mais urgentes chegam ao longo do ano.

Lá vem o imposto
Pagar impostos em uma parcela também pode gerar descontos. O conselho de especialistas em finanças pessoais é que o pagamento à vista é a melhor opção, também na hora de pagar impostos. IPTU e IPVA, dois dos tributos anuais mais comuns, dão porcentuais de desconto quando pagos em cota única. O desconto varia conforme o Estado e o município de residência.

► Cuidado com o juros
Se precisar escolher alguma coisa para parcelar, eleja de acordo com os juros e descontos. Agora é a hora de dar uma boa olhada nas dívidas que você trouxe do ano passado e de tomar cuidado com dívidas novas. O cheque especial, por exemplo, vai ter juros limitados a 8% ao mês a partir da próxima segunda-feira, mas os juros continuam altos: 151,8% ao ano.

► De olho nos descontos
Aproveite os descontos e saldões de início do ano para trocar algum item da casa. Depois do Natal, grandes redes varejistas organizam eventos com descontos de até 70%. Só é preciso paciência para enfrentar as filas e muita agilidade, além de cuidado para não comprar nada de que não precise só para aproveitar o preço baixo.

Férias tranquilas
Se não tiver conseguido planejar a viagem de férias com antecedência, deixe para julho ou meses de baixa temporada, em que os custos de hospedagem e de transporte aéreo podem ficar até 50% mais baratos. E tente não deixar que o parcelamento de uma viagem se acumule com as despesas fixas de janeiro.

Em dinheiro
Durante as férias, troque os cartões de débito e de crédito por dinheiro vivo. Nas férias, é possível estabelecer uma meta de gastos diária e sair de casa apenas com aquela quantia de dinheiro.

► Compra coletiva
Você pode procurar outros pais e combinar uma compra em conjunto. Com um volume de compras maior, fica mais fácil negociar bons descontos com a loja e até dá para pagar à vista.

 

 

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O Liberal
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