Falta de água deve ser amenizada a partir de setembro na Região Metropolitana de Belém

Aceleração de recuperação de filtros e investimento em obras de infraestrutura devem melhorar a qualidade da água em 20 bairros de Belém e Ananindeua

João Thiago Dias

Os transtornos de falta de abastecimento de água na Região Metropolitana de Belém devem ser amenizados a partir de setembro com a conclusão da obra de troca e reposição dos filtros no Complexo Bolonha, principal estação de captação, tratamento e abastecimento de 65% das residências da área. O objetivo principal é recuperar a produção de água nos 16 filtros do sistema, que funciona apenas com oito atualmente.

A informação foi divulgada na tarde desta segunda-feira (15), pelo presidente da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), Márcio Coelho, durante coletiva à imprensa na sede do órgão. Após a entrevista, acompanhados pela diretoria da concessionária, os representantes dos veículos de imprensa foram convidados para uma visita ao Complexo Bolonha, onde foram repassadas mais informações sobre as ações e obras de infraestrutura que estão em execução para contornar a precariedade de abastecimento na cidade.

O presidente da Cosanpa, Márcio Coelho, recebeu a imprensa na sede do órgão para dar informações sobre as medidas que vem sendo tomadas para contornar o problema do desabastecimento em parte da capital (Ivan Duarte / O Liberal)

"A partir de setembro, a população deve começar a sentir maior qualidade na produção. Com os filtros funcionando em sua totalidade, a produção aumenta para o dobro, que seria de 6,4 metros cúbicos por segundo. E temos a preocupação de acelerar o que for possível para que o serviço de qualidade seja disponibilizado o quanto antes", garantiu o presidente da Cosanpa, Márcio Coelho.

Os bairros abastecidos pelo Compelxo Bolonha são: Guamá, parte da Cremação e Condor, Marco, Souza, Curió-Utinga, São Brás, Fátima, Pedreira, Terra Firme, Canudos, Jurunas, Telégrafo, Sacramenta, parte do Barreiro, Marambaia, Val de Cans, Coqueio, Guanabarar e parte do Atalaia.

 

CONTROLE DE PERDAS

Dentro de 45 dias, a Cosanpa dará início a um projeto de redução e controle de perdas em vários bairros para modernização e contenção de perdas, já que aproximadamente 40% do que se produz na rede antiga, avaliada pela Cosanpa como deteriorada, vai ao desperdício com a distribuição pela adutora e rede de tubulações.

Após a coletiva, os representantes da imprensa foram convidados a conhecer as instalações do Complexo Bolonha (Ivan Duarte / O Liberal)

NOVOS EQUIPAMENTOS

As ações também incluem a compra de equipamentos reservas pra mitigar os riscos de paradas maiores. “Já estamos, inclusive, licitando um transformador para back up em caso de uma nova situação. A companhia está empenhada em fazer isso o mais rápido possível. Com a modernização, conseguiremos fazer uma setorização, então quando tivermos problema ou interferência, não afetará todos os bairros. Teremos condições de planejar melhor, impactando o menor número de pessoas”, informou o presidente da Cosanpa.  

CHAT

Para ajudar a esclarecer as dúvidas dos consumidores, a Companhia apresentou uma versão aprimorada de um canal de comunicação, que começou a funcionar a partir desta segunda, em seu site. Por meio de um chat, a população pode ter acesso à segunda via de fatura, aferição de hidrômetro, falta de água, revisão de consumo, vazamento e sobre a situação do abastecimento no Bolonha com paradas e previsões de retorno. Caso o cidadão queira informações detalhadas ou outro serviço, é direcionado para o atendimento personalizado. 

"O chat foi aprimorado em decorrência das informações desencontradas, especialmente nas redes socais, que apontam que existe comprometimento em todos os sistemas da capital. Isso não é real. Temos dificuldade concreta no sistema Bolonha, mas estamos trabalhando para colocar esses filtros para que volte a operar dentro da capacidade", explicou o Márcio Coelho.

DIAGNÓSTICOS

As decisões foram tomadas após a companhia analisar dois diagnósticos: um financeiro e econômico, e outro técnico. O primeiro foi feito pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e aponta várias dificuldades operacionais do órgão, como o atendimento de apenas 50% da população do Estado, um sistema de coleta de esgoto praticamente inexistente e a inadimplência, próxima de 40%. 

O segundo levantamento foi feito pela Agência Reguladora Municipal de Água e Esgoto de Belém (Amae), que havia estabelecido o conserto de equipamentos até o dia 1º de dezembro, porém, esse prazo não foi cumprido. A melhoria na estrutura das tubulações e a execução de serviços de manutenção também estavam entre as ações a serem executadas pela companhia até a data citada.

A visita às instalações do complexo Bolonha foi conduzida pelo presidente da Cosanpa, Márcio Coelho (Ivan Duarte / O Liberal)

RECURSOS

A Cosanpa também informou os riscos dos principais sistemas que opera – Belém, Santarém e Marabá – já que não possui equipamentos para solução imediata, mas, com os recursos de R$ 15 milhões disponibilizados pelo governador Helder Barbalho, é possível acelerar diversas ações para garantir que a população receba um serviço de qualidade e freqüente.

A manutenção dos filtros se faz essencial, principalmente, no período de chuva, visto que a turbidez da água nesta época triplica. Isso exige a limpeza desses equipamentos de 18 em 18 horas, o que ocorre de 36 em 36 horas em demais períodos.

O Liberal