Dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) indicam que, em quase três décadas, o fluxo de passageiros no transporte público vem diminuindo. O cenário preocupa o setor, que teve redução ainda mais intensa com a pandemia e ainda tenta se recuperar. De acordo com a NTU, os sistemas organizados de transporte público por ônibus urbano, distribuídos nos 2.703 municípios do País, tiveram uma perda de cerca de R\$ 27,8 bilhões, desde o início da pandemia até abril de 2022. VEJA MAIS Tarifa do transporte público: saiba como é calculada Subsídios para o setor são alternativas para melhorias e equilíbrio financeiro das empresas Subsídio para transporte público: entenda o que é e como funciona Redução do valor da passagem e custo efetivo do sistema são alguns benefícios da adoção do subsídio A redução gerou um impacto financeiro médio de R\$ 1,08 bilhão por mês, causado pela rápida queda do número de passageiros e outros fatores, como a obrigatoriedade de manutenção veicular realizada pelas empresas. Segundo a Associação, o cenário implicou também um prejuízo no transporte coletivo nacional de cerca de R\$ 25 bilhões. Somente no Pará, em 2019, 905 mil pessoas, em média diária, utilizavam o serviço de transporte coletivo. Durante a pandemia, o número caiu para aproximadamente 100 mil usuários por dia, uma redução de quase 90% que também refletiu em outras dificuldades, como, por exemplo, as questões salariais dos colaboradores. Fora do horário de pico, os ônibus têm baixa procura. (Divulgação) Entretanto, o distanciamento social apenas intensificou um movimento que tem se desenhado desde 1995 e reflete a queda de faturamento do setor. O período de 27 anos teve reduções com destaque para três momentos: entre os anos de 1995 a 1998, seguido por 15 anos de estabilidade; dos anos de 1999 até 2013, e novo encolhimento a partir de 2014, com registro negativo resultante da pandemia. A migração para a utilização de outros meios de transporte, como os carros de aplicativos e bicicletas, é um dos motivos que contribuíram para a redução do número de passageiros no transporte público nacional com mais destaque para o período da pandemia, no qual as pessoas necessitavam manter as medidas de distanciamento social e recorreram às outras formas de deslocamento. O desemprego é outro fator relevante que contribui para esta mudança, e que já vem ocorrendo antes mesmo da pandemia de covid-19, porque com a redução das ofertas de trabalho, os usuários não possuem poder econômico para outras atividades, incluindo o deslocamento com o transporte. A adoção e a permanência do regime de home office em muitas empresas após a pandemia de covid também reforça a queda no número de usuários, que já não precisam se deslocar para o seu espaço de trabalho. Subsídios como solução Uma alternativa que pode implicar na melhoria do serviço ofertado à população, de acordo com a NUT, são os subsídios governamentais. Tratam-se da diferença entre a tarifa técnica (custo suficiente para manter o sistema) e a tarifa pública (a passagem de ônibus paga pelo usuário). Nas cidades que já adotam o subsídio, o poder público custeia a diferença para manter a qualidade no transporte. Atualmente, Belém é uma das poucas cidades no Brasil que não contam com o suporte. A adoção dos subsídios traz benefícios para a população, pois além de não ser mais responsável por custear o valor total das despesas, passa a contar com maior oferta de ônibus, inclusive em linhas com baixa demanda de passageiros; melhoria da frota e serviços de qualidade.