Antes de chegar às mãos do leitor, cada edição do jornal O Liberal passa por muitas outras mãos. Há quem escreva, revise, fotografe, edite, organize as páginas, acompanhe a impressão e garanta que, ainda nas primeiras horas do dia, o jornal esteja nas ruas. Ao longo de 80 anos, são essas mãos, muitas vezes anônimas, que também ajudam a contar a história do veículo.
A jornada do jornal O Liberal pode ser lembrada pelas grandes manchetes, pelos acontecimentos que marcaram gerações e pelas transformações do jornalismo. Mas existe uma outra história, construída nos bastidores: a dos colaboradores que fizeram do trabalho no jornal uma parte importante de suas próprias vidas.
Para o assistente de produção Freddy Azimute, que trabalha há 30 anos no jornal, participar de pelo menos um terço dessa jornada é uma honra. “Tenho muito orgulho de ter sido contratado e ainda estar em atividade neste grupo. Fiz uma família aqui e construí a minha também. O que tenho hoje de patrimônio foi e está sendo fruto do meu trabalho por aqui”, comenta.
Por décadas, a rotina começou antes do dia amanhecer. Enquanto grande parte da cidade dormia, trabalhadores acompanhavam o fechamento da edição, enfrentavam prazos, resolviam imprevistos e aguardavam o momento em que o jornal finalmente saía das máquinas.
Transformação
Ao longo de oito décadas, a tecnologia transformou profundamente a produção jornalística. As antigas formas de composição deram lugar a processos digitais, as máquinas foram modernizadas e a velocidade da informação mudou.
“Sempre trabalhei com programas mais atuais da época. Tais como: Corel Draw, Photoshop, Page Maker. Porém, no jornal os layouts eram feitos QuarkerExpress, o que tive uma certa dificuldade de adaptação, mas com o tempo me adaptei e, posteriormente, transferi para os programas que eu tinha mais habilidades”, relembra Freddy Azimute.

Mas, mesmo diante de tantas mudanças, algo permaneceu: o trabalho humano. Quem dedicou anos ao O Liberal guarda lembranças que não aparecem nas páginas publicadas. São histórias de companheirismo, amizades construídas durante longas jornadas. Como é o caso do agente de portaria Willams dos Santos, que trabalha há 20 anos na empresa e diz que se sente muito feliz e grato.
“Eu me dou bem com todo mundo do jornal, eu gosto muito de tratar as pessoas com respeito e me sinto bem fazendo isso. Gosto de estar nessa empresa que me respeita e me faz bem”, explica.
Histórias
Para o repórter Dilson Pimentel, que trabalha no jornal há mais de 36 anos, foram muitos os momentos marcantes, como a cobertura sobre as investigações do caso que ficou conhecido como “Monstro da Ceasa” ou “Maníaco da Ceasa”.
“O serial killer André Barbosa matou três adolescentes, moradores do bairro do Guamá, em Belém, entre dezembro de 2006 e março de 2007. A investigação policial para identificá-lo e prendê-lo durou 11 meses. Foi uma investigação complexa. Ele foi condenado pela justiça inicialmente há mais de 100 anos de prisão”, relembra Dilson.
O chefe de reportagem Jorge Ferreira, começou a trabalhar em O Liberal no dia 15 de junho de 1980. Ele conta que deve tudo o que construiu ao Grupo Liberal.
“O Liberal agregou tudo na minha vida. Eu entrei aqui com 27 anos e me apaixonei pela minha profissão. Eu vi esse jornal passar do preto e branco para o colorido, vi vários setores evoluindo. Eu sou da época em que a gente fechava jornal quatro horas da manhã. A minha vida girou todos esses anos ao redor do jornal“, destaca o jornalista.
Oito décadas são tempo suficiente para atravessar gerações. Pais, filhos e colegas de trabalho compartilharam histórias dentro do jornal. Alguns chegaram jovens e permaneceram até a aposentadoria. Outros seguiram novos caminhos, mas levaram consigo a experiência e as lembranças de ter participado da construção de uma publicação que se tornou parte da história do Pará.
A comemoração de 80 anos de O Liberal conta com o patrocínio de Vale, Shopping Grão Pará, Sebrae, Pátio Belém, Preço Baixo, Recanto das Palmeiras, Marmobras, Porte Engenharia, +Barato, Hydro, Guamá Tratamento, Fibra, Fecomércio, Cidade Limpa, Alepa, Faepa, Assembleia Paraense, além das prefeituras de Vigia, São Miguel do Guamá, Santarém, Pacajá, Óbidos, Monte Alegre, Moju, Mãe do Rio, Conceição do Araguaia, Canaã dos Carajás, Cametá, Belém, Altamira, Barcarena, Acará e Abaetetuba.
