CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Mercado de trabalho amplia exigência por competências socioemocionais e escolas apostam em formação

Falta de soft skills é principal obstáculo para 63% dos empregadores e deve levar 59% dos trabalhadores à requalificação até 2030, segundo o Fórum Econômico Mundial (WEF)

Conteúdo sob responsabilidade do Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré
fonte

Comunicação, liderança, colaboração e capacidade de trabalhar em equipe estão entre as habilidades mais valorizadas pelo mercado de trabalho. Conhecidas como soft skills e cada vez mais presentes nas exigências de vagas e processos seletivos, elas deixaram de ser apenas um diferencial para se tornar requisito em diversas profissões. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial (WEF), 63% dos empregadores apontam a falta dessas competências como o principal obstáculo à transformação das empresas. O relatório também estima que 59% dos trabalhadores precisarão passar por processos de requalificação até 2030.

O cenário amplia uma discussão que ultrapassa o ambiente corporativo: como desenvolver essas competências ainda durante a formação escolar. Estudos do Instituto Ayrton Senna mostram que habilidades socioemocionais estão associadas ao desempenho acadêmico, ao bem-estar e ao sentimento de pertencimento dos estudantes. Já pesquisas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que essas competências são desenvolvidas principalmente por meio de experiências práticas de participação, convivência e tomada de decisão.

Quando a escola ensina o que não está no currículo

Se as competências socioemocionais passaram a ocupar espaço entre as habilidades mais valorizadas pelo mercado e pela sociedade, cresce também o debate sobre como desenvolvê-las ainda durante a educação básica. Embora o currículo escolar permaneça centrado nos componentes tradicionais de ensino, especialistas apontam que essas habilidades são construídas principalmente em experiências de participação, convivência e resolução de problemas reais.

Nesse contexto, projetos de protagonismo estudantil ganham espaço nas escolas. Iniciativas de liderança, voluntariado e representação estudantil colocam os estudantes diante de desafios como organização de atividades, negociação de decisões, trabalho em equipe e responsabilidade coletiva, experiências próximas às exigências da vida universitária e profissional.

Garantido pela Lei Federal nº 7.398/1985, conhecida como Lei do Grêmio Livre, o grêmio estudantil é uma entidade autônoma de representação dos estudantes. Além de estimular a participação democrática e o diálogo entre alunos e gestão escolar, permite que os estudantes exerçam, na prática, liderança, organização, negociação e tomada de decisões, experiências pouco frequentes na rotina das disciplinas tradicionais.

Foi justamente nesse ambiente de participação que Amanda Leite começou a desenvolver habilidades que dificilmente seriam exercidas apenas em sala de aula. Estudante do 3º ano do Ensino Médio e atual presidente do grêmio estudantil do Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, ela faz parte da equipe responsável por representar os estudantes, identificar demandas da comunidade escolar, dialogar com a gestão da instituição e coordenar projetos voltados aos próprios alunos. Para Amanda, esse processo exige muito mais do que capacidade de organização.

"Acho que o grêmio acaba ensinando coisas que nenhuma sala de aula consegue ensinar completamente. A gente aprende a lidar com pressão, a resolver problemas de última hora, a ouvir opiniões diferentes e tomar decisões pensando no coletivo. Além disso, existe uma responsabilidade muito grande em representar os alunos e saber que as pessoas confiam no seu trabalho. Tudo isso me fez amadurecer bastante e me preparou para situações e responsabilidades que vou enfrentar fora da escola também."
 

image Arena do Grêmio reúne profissionais e estudantes para dialogar sobre carreira, vestibular, ensino superior e saúde socioemocional (Divulgação/ Colégio Marista)

Entre as iniciativas lideradas pelo grupo está a Arena do Grêmio. O projeto surgiu após os representantes estudantis identificarem dúvidas recorrentes entre os colegas sobre carreira, vestibular, ensino superior e saúde socioemocional. A partir dessa demanda, o grêmio passou a organizar encontros com profissionais de diferentes áreas, criando um espaço de diálogo para aproximar os estudantes de diferentes trajetórias acadêmicas e profissionais.

Cerca de 16 anos antes da experiência de Amanda, o então estudante Gabriel Fernandes também viveu o cotidiano de ser presidente do grêmio estudantil no mesmo colégio, entre 2010 e 2011. Hoje advogado e professor universitário, ele afirma que muitas das competências exigidas em sua trajetória profissional começaram a ser desenvolvidas ainda na adolescência.

“Muitas vezes fui designado para intermediar crises estudantis, quando os alunos organizavam movimentos para reivindicar melhorias ou questionar decisões da instituição. Essa experiência me legou uma postura conciliadora, mas com firmeza ao liderar, que são características importantes no mundo jurídico e empresarial, ambientes que posteriormente escolhi para me desenvolver profissionalmente”, relata o advogado.

Segundo ele, a dimensão dos aprendizados adquiridos no grêmio estudantil ficou mais clara anos depois, durante o mestrado em Portugal, quando precisou construir uma rede de contatos do zero, lidar com pessoas em posições de autoridade, organizar projetos e resolver problemas longe da família. Ele afirma que muitas dessas habilidades já haviam sido desenvolvidas na experiência escolar e que essa percepção também se confirma hoje em sua atuação como professor universitário, ao observar estudantes e profissionais em formação. “É comum que profissionais que se destacam tenham exercido algum tipo de liderança ainda jovens. Eles chegam ao mercado já familiarizados com competências como comunicação, negociação, responsabilidade e capacidade de mobilizar pessoas em torno de objetivos comuns.”

O desafio para as escolas deixa de ser apenas formar estudantes capazes de resolver equações ou interpretar textos. Em um contexto em que o conhecimento técnico já não basta para garantir boa adaptação à universidade, ao mercado de trabalho e à vida em sociedade, cresce a expectativa de que o ambiente escolar também contribua para o desenvolvimento de soft skills. A pressão sobre a educação, portanto, deixa de estar restrita ao desempenho acadêmico e passa a envolver a formação de competências que, até pouco tempo atrás, eram consideradas responsabilidade apenas da vida adulta.

Sobre o Marista Nossa Senhora de Nazaré

O Marista Nossa Senhora de Nazaré faz parte da rede de colégios e escolas do Marista Brasil, que está presente em 21 estados brasileiros, atendendo cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 97 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação.
Saiba mais em: https://colegiosmaristas.com.br/nazare-belem/.
 

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Conteúdo de Marca
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!