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Exu: saiba mais sobre essa divindade do candomblé e da umbanda

Nas religiões de matriz africana, ele é conhecido por fazer a ponte entre o humano e o divino

Izabelle Araújo

O desfile épico que deu a vitória à escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, na competição do Carnaval 2022 da Sapucaí, trouxe aos holofotes uma das figuras mais polêmicas e alvo de erros de interpretação e preconceito entre os cultos de matriz africana: Exu, o primeiro filho de Olorum (a divindade maior entre os orixás), também conhecido como “aquele que viu o mundo nascer”.

No candomblé, Exu é um dos maiores orixás e tem o importante papel de mensageiro entre o mundo terreno e as divindades. Considerado nesta vertente uma representação de energia, ele evoca a felicidade, a harmonia e está ligado à fertilidade, à sexualidade e aos desejos. Já na crença da umbanda, Exu é uma entidade que aparece sob diversas formas espirituais nos terreiros, onde ele se manifesta nos filhos de santo durante os trabalhos (rituais de incorporação).

A psicopedagoga e mãe de santo Vanessa Pereira explica que este orixá é o mais próximo da natureza humana e que é que sua grande marca é o senso de justiça. “Exu é muito ligado ao trabalho, às trocas justas. Ele sempre vai trazer a verdade à tona o tempo todo, pois não aceita o que é errado. Ele é neutro e justo, e para contar com seu favorecimento as pessoas precisam observar as atitudes e o caráter”, afirma.

Discriminação histórica

Ao escolher retratar Exu em seu samba-enredo intitulado “Fala Majeté! Sete chaves de Exu”, a Grande Rio sofreu diversos ataques, assim como frequentemente acontece com as pessoas que professam religiões de matriz africana. Segundo Vanessa Pereira, isso demonstra a discriminação religiosa que ainda é muito presente na sociedade brasileira. “As pessoas acabaram associando Exu ao diabo, mas ele não é isso. Essa concepção cristã do diabo, essa crença que separa o bem do mal, não existe nas religiões de matriz africana. Mas essa figura foi associada às religiões africanas por conta de uma não aceitação dessa diversidade, o que causou um processo de demonização de Exu. Em sua essência, ele é muito parecido com o ser humano, e isso também é uma das fontes de tanto preconceito”, explica a mãe de santo.

Ao contrário do que muitos pensam, a missão de Exu está mais associada à proteção. É ele o guardião que toma conta dos portais, das encruzilhadas e das entradas das matas. Vanessa associa os espíritos de Exus, no sincretismo religioso indígena, à figura do Curupira, que é brincalhão e tem a habilidade de enganar pessoas que desejam fazer mal aos seres da floresta.

A relação entre Exu e as religiões de matriz africana é o tema do podcast Entre Nós. Clique aqui e ouça o episódio na íntegra.

Max Domini
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