Mais do que uma peça de vestuário, o manto de Nossa Senhora de Nazaré é um dos principais símbolos do Círio. Todos os anos, a tradição se renova por meio de um novo desenho, novas cores, materiais e elementos que ajudam a contar uma história de fé e devoção. Para os milhares de paraenses e visitantes que acompanham a festividade, a apresentação do manto é um dos momentos mais aguardados da programação.
No Círio 2026, a responsabilidade de dar forma a esse símbolo ficará com dois nomes ligados à arte: a artista plástica e designer de joias Celeste Heitmann, responsável pelo desenho, e o estilista Artur Maciel, que assina a confecção da peça.
A escolha dos profissionais marca também a estreia de Artur Maciel na confecção do manto oficial da Festa de Nazaré. O convite foi feito em fevereiro deste ano pelo casal coordenador do Círio 2026, Antônio Sousa e Rosa Sousa. Para o estilista, a oportunidade representa a realização de um sonho cultivado durante décadas.

“Essa é uma benção das mais especiais. Eu esperei quarenta anos para este momento. A responsabilidade eu coloco em tudo que me proponho a fazer. No manto, isso aumenta, pois milhares de pessoas irão contemplar a Virgem de Nazaré em um momento muito esperado e aguardado. Coloquei nessa execução todo o meu amor incondicional e devoção que tenho à Mãe Imaculada de Nazaré. Espero que esse trabalho emane esse amor e fé para o seu povo. É um sonho realizado desde criança”, destaca o estilista Artur Maciel.
A cada edição do Círio, o manto é pensado para ir além da beleza estética. Cores, formas, pedras, bordados e símbolos são escolhidos de maneira cuidadosa para estabelecer uma conexão entre a imagem de Nossa Senhora, o tema da festividade e a experiência de fé dos romeiros.
“Eu imaginei, nos tons escolhidos, beleza e leveza aos olhos. Tudo é pensado cuidadosamente e criteriosamente. O símbolo que o manto carrega nas costas irá mostrar algo marcante na história do catolicismo. Ele tem um significado e sentido muito grande para nós paraenses”, afirma o estilista.
Fé em cada detalhe
O manto deste ano deve refletir a temática da festa: “Maria, missionária que nos dá Jesus”. A proposta apresentada é marcada pela simplicidade e busca transmitir uma mensagem evangelizadora, além de fortalecer a devoção a Nossa Senhora de Nazaré por meio dos elementos que a compõem.
Para Celeste Heitmann, a participação na criação do manto representa também o reencontro com uma tradição que já faz parte de sua trajetória. A artista foi responsável pelos desenhos dos mantos de 2018 e 2019, em parceria com a estilista Káthia Novelino, e retorna agora para uma nova edição da peça que ocupa lugar de destaque na história do Círio.
"Criar o manto foi e é um dos pontos mais altos da minha vida de artista. Uma representação de reconhecimento pela minha arte, estilo e minha sensibilidade em ato de fé e devoção a Nossa Senhora. Ao assinar esse desenho, e os outros anteriores, significou assumir uma enorme responsabilidade em traduzir o sentimento em forma de cores e bordados. O desenho traduz a fé em Maria aos planos de Deus entre os fiéis à Virgem de Nazaré. Ele simboliza a pureza de Maria, proteção materna e acolhimento", ressalta Celeste Heitmann.
Além do desenho, Celeste também desenvolveu as joias que integram o manto deste ano, contribuindo para a construção dos detalhes que serão apresentados aos milhares de devotos.
O manto está nos ajustes finais e será apresentado oficialmente no dia 8 de outubro, na Basílica Santuário de Nazaré, durante uma cerimônia que reúne milhares de fiéis. Mas, antes mesmo de ser apresentado, a peça já ocupa um lugar especial na expectativa pelo Círio.
O projeto "Círio e suas histórias" tem patrocínio da Agropalma, Banco da Amazônia, Hapvida, Hydro e Prefeitura de Belém. E o apoio da Vale.
