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Mãos que curam e benzem: saberes ancestrais fazem parte do Círio de Nazaré

Entre rezas, ervas e banhos de cheiro, benzedeiros mantêm vivos saberes populares que fazem parte da identidade cultural de Belém

Ana Paula Gama

2 de outubro de 2026 às 15:44

Paulo Arara é benzedeiro e diz que a busca por bênçãos e banhos de cheiro se multiplica em outubro

Paulo Arara é benzedeiro e diz que a busca por bênçãos e banhos de cheiro se multiplica em outubro ( Foto: Divulgação )

No mês em que Belém se transforma para receber o Círio de Nazaré, a fé ocupa não apenas as ruas, igrejas e espaços de celebração, mas também lugares onde a religiosidade popular se manifesta de maneira mais silenciosa. São casas, quintais e pequenos espaços onde mãos experientes se movimentam em orações, bênçãos e gestos de proteção.

Nas palavras dos benzedeiros e dos rezadores, nas folhas das ervas e no aroma dos banhos de cheiro, uma tradição atravessa gerações. É o caso de Paulo Fernando Teles, popularmente conhecido como Paulo Arara, um dos mais respeitados benzedeiros e guardiões de conhecimentos ancestrais da Amazônia.

“O ato de benzer vem de todas as formas. Ele é guiado especificamente naquilo que a pessoa busca por meio do banho de cheiro. Eu enxergo isso como um ato de fé porque ela é o elemento principal para você usar naquilo que acredita, independente de religião”, explica o benzedeiro de 71 anos.

A força das mãos

O gesto de benzer é simples, mas carrega um forte simbolismo. Com as mãos o benzedeiro faz sinais, movimentos e orações enquanto pede proteção e afastamento de males. Paulo Arara faz o ritual no quintal de sua casa e utiliza folhas, ramos e ervas, reforçando a relação entre espiritualidade, natureza e conhecimento popular.

Saberes ancestrais, ervas e preces que unem devoção e cultura
Saberes ancestrais, ervas e preces que unem devoção e cultura (Divulgação)

“Cada erva tem seu significado por meio da cura e da renovação. Algumas ervas são usadas especificamente para cura medicinal e outras são usadas para uma renovação espiritual de suas energias”, explica o benzedeiro que herdou o dom do pai.

Círio de Nazaré

Durante o Círio, essa dimensão se torna ainda mais evidente. A grande manifestação religiosa que toma conta das ruas de Belém também se conecta às pequenas histórias individuais de devoção, promessa e agradecimento. A prova disso é que cresce a busca pelos trabalhos de Paulo Arara. “No mês de outubro a demanda aumenta. Os banhos mais procurados são aqueles que trazem renovação da fé e os que abrem caminhos”, comenta.

O projeto "Círio e suas histórias" tem patrocínio da Agropalma, Banco da Amazônia, Hapvida, Hydro e Prefeitura de Belém. E o apoio da Vale.