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CONTEÚDO DE MARCA

Famílias e voluntários transformam ruas de Belém em pontos de apoio para devotos

Ajuda encontrada pelo caminho representa mais do que uma necessidade física

Paloma Lobato

8 de outubro de 2026 às 13:20

Gestos de solidariedade marcam o caminho dos romeiros no Círio de Nazaré

Gestos de solidariedade marcam o caminho dos romeiros no Círio de Nazaré ( Foto: Cristino Martins )

A fé que move milhares de pessoas durante o Círio de Nazaré também se manifesta em gestos de solidariedade ao longo do caminho. Antes mesmo de chegarem ao centro da capital paraense, romeiros que percorrem longas distâncias encontram nas principais vias da cidade pontos de apoio mantidos por famílias, grupos de amigos, voluntários e instituições que oferecem água, comida, frutas e outros itens essenciais para quem enfrenta horas de caminhada em direção à Basílica Santuário de Nazaré.

Na BR-316 e na avenida Almirante Barroso, principais portas de entrada para quem chega à capital, a cena se repete todos os anos: pessoas cansadas, muitas vezes com os pés machucados e o corpo tomado pelo esforço da caminhada, recebem um alimento, uma bebida ou simplesmente uma palavra de incentivo para continuar. 

Para muitos romeiros, a ajuda encontrada pelo caminho representa mais do que uma necessidade física. É também uma demonstração de acolhimento e uma forma de renovar as forças para cumprir a promessa feita à Nossa Senhora de Nazaré.

Entre tantas pessoas que transformaram a solidariedade em tradição está a família Machado. Há oito anos, os integrantes se reúnem para preparar e distribuir gratuitamente alimentos e bebidas aos devotos que passam pela Almirante Barroso.

“A ideia surgiu em uma conversa entre os primos para nos confraternizarmos, já que fazia um determinado tempo que não nos reuníamos. Desde então, nos mobilizamos para o momento de partilha com os promesseiros, motivados pela união e fé em Nossa Senhora de Nazaré”, destaca Tayse Machado.

O trabalho começa muito antes da chegada dos primeiros romeiros. A família se organiza para comprar os produtos, preparar os alimentos e estruturar o ponto de distribuição. “Durante a semana do Círio, realizamos as compras de tudo o que é necessário para os lanches e para os sucos. Vamos para a feira e para a Ceasa em busca de frutas frescas. Preparamos sanduíches, bolos, mingau e caldo. Além disso, oferecemos água, frutas e sucos”, destalha a devota.

A iniciativa da família Machado representa uma tradição que se repete em diferentes pontos do trajeto do Círio. Para quem oferece, o gesto é uma forma de participar da maior manifestação religiosa do Pará. Para quem recebe, muitas vezes é uma ajuda indispensável e um novo gás para chegar ao destino.

Fé que acolhe

Família Machado se reúne desde 2018 para distribuir alimentos e bebidas aos devotos de Nazaré (Arquivo Pessoal)

O Círio reúne devotos de diferentes regiões do Pará e de diversos estados brasileiros. Muitos chegam a Belém depois de horas de viagem e, em alguns casos, iniciam a caminhada ainda fora da capital. Ao longo do percurso, o apoio oferecido por voluntários ajuda a tornar a jornada menos difícil.

A solidariedade também revela uma característica marcante da celebração: a fé compartilhada. Quem oferece água, alimento ou um lugar para descansar nem sempre conhece o romeiro que está à sua frente, mas reconhece nele o mesmo sentimento de devoção que mobiliza milhares de pessoas durante a quadra nazarena.

“O Círio de Nazaré representa a renovação da fé, o exercício de empatia, união e gratidão. Esse momento de acolhimento fortalece os laços de amor e devoção à Nossa Senhora de Nazaré. A caminhada dos promesseiros vindos dos interiores é um momento muito marcante. E mais gratificante são as palavras que são desejadas por eles, que se transformam em gratidão e bênçãos divinas”, complementa Tayse Machado.

O projeto "Círio e suas histórias" tem patrocínio da Agropalma, Banco da Amazônia, Hapvida, Hydro e Prefeitura de Belém. E o apoio da Vale.