Decisão da Corte Interamericana reconhece racismo estrutural no Brasil
Estado brasileiro foi condenado em caso de discriminação racial contra duas pesquisadoras negras
Uma decisão histórica da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) colocou o Brasil no centro de um dos debates do Direito contemporâneo: o reconhecimento do racismo estrutural e institucional como fator determinante de violações de direitos humanos.
Ao reconhecer desigualdades estruturais, a Corte passa a interpretar a realidade social de forma mais complexa, considerando contextos históricos, sociais e institucionais que produzem discriminações sistemáticas, como no caso brasileiro.
De acordo com Bianca Cartágenes Saraiva, advogada que atua no escritório Pinheiro & Mendes Advogados, a Corte exerce papel central na consolidação de padrões de proteção na América Latina. Assim, o Estado se submete ao controle internacional, sem que isso represente violação à soberania, mas sim o cumprimento de compromissos assumidos.
“No direito internacional, temos uma soberania em que o Estado permite que a Corte IDH exerça um controle sobre ele, ao escolher participar da Convenção Americana de Direitos Humanos”, afirma a doutoranda e mestre em Direito e Ciência Jurídica.
Bianca é autora de artigo publicado na obra Direito Público e Suas Transversalidades – Volume II, do Instituto Brasileiro de Direito Público e Privado, com foco em Direitos Humanos que analisou a decisão no caso Dos Santos Nascimento e Ferreira Gomes vs. Brasil. O tema foi abordado durante o videocast Fazendo Jus, do escritório Pinheiro & Mendes Advogados, em parceria com O Liberal.
“Os fatos aconteceram há quase 30 anos, em que duas mulheres negras foram a uma empresa para se candidatarem a uma vaga de pesquisadora. A inscrição no processo seletivo foi impedida por um recrutador, mas outras pessoas de pele branca conseguiram fazer”, comenta a Bianca.
Diante da situação, as vítimas denunciaram o caso, que levou à abertura de uma investigação criminal por racismo em 1998, que se arrastou por mais de uma década e culminou em uma decisão judicial de absolvição por insuficiência de provas em 2009.
O caso foi levado à Corte IDH, que identificou múltiplas violações de direitos e destacou a responsabilidade internacional do Brasil diante da ineficiência estatal. Em junho de 2023, pela primeira vez na história, o Brasil foi condenado, perante a Corte Interamericana, violações aos direitos de duas mulheres no processo criminal no julgamento de acusação de discriminação racial no ambiente de trabalho.
Para saber mais sobre o assunto, acesse o videocast Fazendo Jus, uma produção do Grupo Liberal, em parceria com o escritório Pinheiro & Mendes Advogados, que está disponível em OLiberal.com/play.
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