Da tipografia modesta ao império da comunicação: Grupo Liberal celebra 80 anos de história
Como parte das celebrações, 2026 é marcado por série de projetos inéditos e tradicionais
O ano de 2026 marca a celebração dos 80 anos do Grupo Liberal, que iniciou com o jornal O Liberal, em 1946, seguido por rádio, televisão, plataformas digitais e projetos de relacionamento com a comunidade. Ao longo dos meses, uma série de projetos especiais resgatam sua memória, enaltecem o presente e reforçam o compromisso com o desenvolvimento do Pará.
A comemoração conta com o patrocínio de Vale, Shopping Grão Pará, Sebrae, Pátio Belém, Preço Baixo, Recanto das Palmeiras, Marmobras, Porte Engenharia, +Barato, Hydro, Guamá Tratamento, Fibra, Fecomércio, Cidade Limpa, Alepa, Faepa, Assembleia Paraense, além das prefeituras de Vigia, São Miguel do Guamá, Santarém, Pacajá, Óbidos, Monte Alegre, Moju, Mãe do Rio, Conceição do Araguaia, Canaã dos Carajás, Cametá, Belém, Altamira, Barcarena, Acará e Abaetetuba.
De acordo com Aline Vianna, diretora de Mercado do Grupo Liberal, a passagem do tempo demonstrou a conexão sólida construída com o público. “Sob os pilares de credibilidade e inovação, acompanhamos as mudanças tecnológicas e a linguagem para oferecer conteúdos de qualidade à audiência e estratégias publicitárias sob medida para nossos anunciantes”, destaca.
80 anos: Websérie, livro de colecionador e intervenção artística
Há oito décadas, o Grupo Liberal faz parte do cotidiano da população. Para contar como essa história foi construída a tantas mãos, uma série de produtos exclusivos foi desenvolvida para o público:
Websérie Especial: Dividida em três episódios, a produção audiovisual trará curiosidades de bastidores, dos grandes furos jornalísticos e da evolução tecnológica que transformou o grupo ao longo de 80 anos.
Livro Comemorativo: Uma obra de colecionador que reunirá 80 capas icônicas do jornal O Liberal. Cada página funcionará como uma cápsula do tempo, registrando os fatos que moldaram a história política, social e cultural do Pará e do mundo.
Exposição Itinerante: A história sairá da redação para ocupar diferentes pontos de Belém, com reproduções ampliadas das capas históricas, oferecendo uma experiência visual e interativa para que pedestres e leitores se reencontrem com o próprio passado.
Arte nos Muros da Sede: Uma intervenção artística assinada pela muralista paraense Dannoelly Cardoso (com apoio de Yohana Magno e Wendeu Barbosa) revestiu os muros da sede com elementos da história gráfica — desde o jornaleiro tradicional e os maquinários preservados até a tecnologia das telas digitais.
Espaço Romulo Maiorana: A nova estrutura de auditório e estúdio instalada na sede opera como uma "usina de ideias" e centro do ecossistema 360º de transmissão multimídia do grupo.
Projetos Tradicionais
O Grupo Liberal sempre atuou como um motor cultural e social na região. Como parte das celebrações, 2026 será marcado pelo retorno e fortalecimento de projetos tradicionais:
Arte Pará: Um dos maiores salões de arte contemporânea do país volta a movimentar o cenário das artes visuais, conectando artistas locais e nacionais.
Corrida do Sal: Um dos primeiros eventos esportivos na modalidade volta a mobilizar atletas e entusiastas da saúde e do bem-estar nas férias de julho.
Liberal na Escola: A iniciativa socioeducativa fomenta a leitura, o senso crítico e o uso do jornalismo como ferramenta de apoio pedagógico dentro das salas de aula.
Grande Show Comemorativo: Apresentações com atrações nacionais e ativações interativas para celebrar junto ao público.
História
Fundado em 15 de novembro de 1946 por iniciativa de um conjunto de políticos liderados por Joaquim de Magalhães Cardoso Barata — então líder do Partido Social Democrático (PSD) no Pará —, o jornal O Liberal nasceu com uma proposta essencialmente combativa e doutrinária. Criado com o objetivo de dar suporte às campanhas partidárias do pós-Estado Novo, o periódico circulou por quase duas décadas sob forte viés político regional, operando em oficinas gráficas modestas e enfrentando instabilidades financeiras típicas da imprensa da época.
A história do veículo sofreu uma virada empresarial decisiva no dia 1º de maio de 1966, quando o empresário Romulo Maiorana adquiriu o jornal. Dotado de uma visão comercial aguda e de um tino empreendedor até então incomum na comunicação do Norte do país, Maiorana transformou o jornal, tornando-o menos partidário e mais jornalístico, elevando sua credibilidade e posicionando-o como um dos maiores do país.
Ao assumir o controle do jornal, Romulo Maiorana estabeleceu duas diretrizes centrais: modernização tecnológica e desvinculação partidária estrita. O novo proprietário investiu na renovação do parque gráfico, adquiriu maquinário de ponta e reestruturou o modelo de negócios, transformando a venda de espaços publicitários no motor de sustentabilidade financeira da publicação.
Pioneirismo em impressão
O empresário anteviu o futuro da impressão ao trazer para Belém o sistema off-set (impressão a frio). O novo método aposentou os antigos linotipos, que usavam chumbo, e produziu uma impressão de altíssimo nível, com textos e imagens mais nítidos e sem deixar excesso de tinta nas mãos dos leitores. A nova impressão foi apresentada aos leitores em 1º de maio de 1972, data do aniversário da aquisição de O Liberal por “seu Romulo”.
Em 1974, Romulo Maiorana comprou o jornal “A Folha do Norte” e transferiu O Liberal para o prédio na rua Gaspar Viana. A modernidade se instalou rapidamente no jornal, com a substituição de máquinas de escrever por computadores e a chegada de novos processos de composição e edição. A partir de 1993, a edição de domingo passou a ter fotos coloridas, o que logo se estendeu para todo o jornal.
A cobertura noticiosa foi ampliada para além dos bastidores do poder, passando a cobrir esportes, economia local, cultura amazônica e denúncias comunitárias. Ao longo dos anos 1970, o periódico consolidou-se como o impresso de maior tiragem e influência no Pará, superando concorrentes tradicionais do mercado paraense.
A gênese de um conglomerado multimídia
A consolidação de O Liberal funcionou como o alicerce para a criação do Grupo Liberal. Percebendo o impacto da convergência das mídias antes mesmo de o termo se popularizar, Romulo expandiu os negócios. Em 1976, entrou no ar a TV Liberal, que pouco tempo depois formalizou sua afiliação com a Rede Globo, tornando-se o principal canal de televisão aberta do estado do Pará.
O grupo expandiu sua presença para o rádio com a aquisição e criação de estações AM e FM (como a Liberal FM e a Rádio Liberal AM), cobrindo a capital e expandindo sinais para municípios do interior paraense.
Com a morte precoce de Romulo Maiorana em 1986, a gestão do conglomerado passou às mãos de Lucidéa Maiorana (in memoriam), e de seus filhos, que mantiveram o curso de expansão. Nos anos seguintes, o grupo incorporou o jornal popular Amazônia, fundou portais de notícias na internet (como o Portal O Liberal) e expandiu sua rede de retransmissoras de televisão por toda a Amazônia Oriental.
Hoje, a trajetória que teve início na pequena gráfica de 1946 permanece como um dos estudos de caso mais expressivos da comunicação no Brasil, demonstrando como a gestão estratégica de um empresário transformou uma publicação partidária no maior complexo de mídia da Amazônia.
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