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Desafios da maternidade no mercado de trabalho

Cobranças, muitas vezes realizadas pelas próprias mulheres, relacionadas ao desempenho doméstico, familiar e profissional, estão entre as dificuldades para conciliar a vida materna com a jornadas de trabalho

Carolina Gantuss, Especial para O Liberal

A perspectiva de crescimento e consolidação da participação da mulher no mercado de trabalho, ligados aos hábitos de vida das grandes cidades metropolitanas, têm transformado rotinas e trazido mudanças internas nos papéis familiares nos últimos anos, especialmente naquele exercido pela mãe. Os desafios da maternidade na escolha entre família e carreira, é uma das pressões psicológicas mais difíceis que a mulher sofre.

Abandonar o trabalho para assumir o papel de mãe integralmente faz parte da vida de muitas mulheres, como é o caso da jornalista Carolina Lobo, que precisava se deslocar para outra cidade para trabalhar e passou a ter dificuldades para conciliar a vida materna com a profissional logo depois da sua licença maternidade. “Eu trabalhava em outra cidade, após a licença maternidade só via a minha filha meia ou no máximo uma hora por dia. Para mim, era uma tortura e eu pedi pra sair do meu emprego”, conta.

A culpa carregada por ter que deixar seus filhos para trabalhar ainda é um fator determinante para que as mulheres optem pela vida familiar em detrimento da profissional.

Porém, cada família possui uma realidade diferente e a maioria não tem uma rede de apoio e nem a opção de escolha, já que muitas vezes a sua renda é a fonte principal de sustento e em outras é a contribuição do orçamento familiar. Mesmo assim, aquelas que conseguiram conquistar arduamente suas posições no mercado de trabalho, garantindo uma boa estabilidade financeira e para não correrem risco de perder seus postos, conseguem deixar seus filhos em creches em tempo integral ou aos cuidados de uma babá.

Contudo, vale lembrar que nem todas as mães que voltam ao trabalho podem arcar com tantos gastos e por isso acabam deixando os filhos aos cuidados de algum familiar, normalmente, mães e avós.

Pesquisa do IBGE indica que empregabilidade é de 54,6% das mães de 25 a 49 anos que têm crianças de até três anos (Foto / Freepik)

Depois de ficar um ano cuidando exclusivamente da filha, Carolina pôde voltar a trabalhar graças ao apoio recebido da sua família e também por se dispor a fazer um planejamento que permitisse com que ela pudesse passar mais tempo com a filha. “Hoje eu consigo conciliar meu trabalho porque a minha filha fica com a babá e aos cuidados também da minha mãe e ainda conto com a minha avó e a minha madrinha que estão sempre por perto e se revezam. Assim, planejo no dia anterior as demandas da casa, tentando não levar trabalho pra lá e, fazendo pelo menos ela dormir, que é quando ficamos só nós duas e podemos conversar sobre o dia”.

Apesar dos avanços conquistados por mulheres, ainda há uma realidade adversa para mulheres com filhos no mercado de trabalho, como mostram os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre “Estatística de Gênero ano passado, que apontou que apenas 54,6% das mães de 25 a 49 anos que têm crianças de até três anos em casa estão empregadas. Já as mulheres da mesma faixa etária, mas, sem filhos, a taxa de ocupação é de 67,2%. Outro indicativo da desigualdade no mercado de trabalho é a taxa de ocupação entre pais com filhos de até três anos, que é de 89,2%. Números que além de superarem os das mulheres com e sem filhos, superam até mesmo os de homens que não possuem filhos nesta faixa-etária, que é de 83,4%.

A diferença demonstrada na pesquisa chama atenção para o fato que, estatisticamente, ter filhos pequenos, para homens, não é encarado como um fator negativo na hora de se conseguir um emprego. Inclusive, pode-se concluir que é uma vantagem em comparação aos que não possuem filhos. Quando se trata de mulheres, ter filhos pequenos passa a ser uma desvantagem competitiva.

Outra pesquisa, realizada pela Universidade de Chicago, demonstrou que os homens passam a ser vistos como mais competentes, comprometidos e por isso mais favorecidos na hora de buscar um lugar no mercado de trabalho. Com as mulheres, ocorre fenômeno inverso. Isso porque as cobranças em torno delas, em relação ao desempenho doméstico, familiar e profissional, são maiores, lhes conferindo dupla ou, às vezes, tripla jornada, fazendo com que muitas mulheres sejam vistas com desconfiança e, consequentemente, acabam preteridas pelas empresas. Levando a crer que nestes ambientes, ainda prevalece a mentalidade de que os cuidados com os filhos é de responsabilidade maior ou exclusivamente das mães.

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