Aos 50 anos, mulher quilombola inicia trajetória no mercado formal e inspira pela superação
Moradora da comunidade Boa Vista, em Oriximiná, Rosilda Clemente construiu sua trajetória conciliando trabalho, estudo e a criação dos filhos
Uma mulher que nunca teve medo dos obstáculos. Entre pausas forçadas, recomeços tardios e uma rotina marcada por trabalho e responsabilidades familiares, foi possível construir a própria trajetória passo a passo, sempre guiada pela certeza de que a educação poderia abrir novos caminhos.
Moradora da comunidade quilombola Boa Vista, em Oriximiná, oeste paraense, Rosilda dos Santos Clemente conciliou trabalho, estudo e a criação dos filhos, quase sempre fora do mercado formal. O ingresso na MRN, após os 50 anos, marcou um novo momento dessa história, iniciada ainda na juventude, interrompida por décadas e retomada por meio da educação.
Durante muitos anos, a prioridade foi a família, já que casou cedo. Vieram cinco filhos, um após o outro, em um tempo de pouco acesso à informação, sem tecnologias ou facilidades. Coube a ela garantir o alimento, acompanhar os estudos e manter a casa em pé, acumulando renda em diversas funções, como fazer faxinas em casas de família, enquanto o marido atuava diariamente como jardineiro. O dinheiro era contado, mas a educação nunca foi negociável. “Eu sempre acreditei que estudar transformava. Nunca deixei isso de lado, nem para mim, nem para os meus filhos”, disse.
Rosilda interrompeu os próprios estudos aos 16 anos e só conseguiu retomá-los duas décadas depois, aos 36, quando concluiu o ensino médio. A partir de então, não parou mais: aos 38 fez um curso técnico em Administração e, aos 51 anos, já mãe de filhos adultos, conquistou a graduação na mesma área. Uma trajetória marcada por esforço, cansaço e, muitas vezes, lágrimas. “Foi tudo com muita luta, mas eu nunca pensei em desistir”, desabafou.
Enquanto retomava os próprios estudos, Rosilda acompanhava de perto o percurso dos filhos. “Todos seguiram caminhos ligados à educação e à formação técnica ou superior: há engenheiros, uma antropóloga, um técnico em mecânica e uma geóloga”, destacou com orgulho.
Foi justamente a filha geóloga quem a incentivou a participar do programa Portas Abertas da MRN, voltado à contratação de moradores das comunidades vizinhas. Rosilda hesitou, pois já tinha mais de 50 anos, trabalhava em uma cooperativa como coordenadora de processos e possuía uma renda estável. Ainda assim, a filha insistiu dizendo que aquela era a oportunidade que a mãe sempre sonhou.
Rosilda se inscreveu, passou pelo processo seletivo e foi aprovada, ingressando na MRN como assistente administrativa. “Eu não estava preocupada com salário. O que eu queria era construir uma carreira. Trabalhar na MRN sempre foi um sonho para quem vive aqui na região. A gente costuma estar nas terceirizadas, mas estar na MRN é diferente. É uma conquista”, afirmou.
Hoje, atua na área de Recursos Humanos, com foco na gestão de talentos. Acompanha treinamentos, orienta empregados, cuida para que processos estejam atualizados e que as pessoas estejam aptas a exercer suas funções. Ela entende a importância do próprio trabalho dentro de uma empresa de grande importância para o Brasil, como a MRN. “Aqui tudo funciona com processo e isso faz com que a empresa e as pessoas cresçam”, pontuou.
Para o futuro, Rosilda pretende continuar estudando e iniciar a pós-graduação, que será totalmente financiada pela MRN por meio do Programa Portas Abertas. Com isso, ela busca crescer profissionalmente na empresa. “Mais do que um cargo, o que busco é estabilidade e tranquilidade. Penso muito em ter uma velhice confortável, pois trabalhei a vida inteira. Quero viver com dignidade”, compartilhou.
A história de Rosilda se cruza também com a da filha, dentro da MRN, que se inscreveu no Programa de Trainee e hoje atua como geóloga na MRN.
Ampliando perspectivas de futuro com a educação
Para Magda Damasceno, gerente-geral de Recursos Humanos da MRN, histórias como a de Rosilda mostram que a idade não define capacidade. Segundo ela, o programa Portas Abertas foi criado justamente para eliminar barreiras tradicionais de acesso ao mercado de trabalho. “Não havia limite de idade, gênero ou experiência prévia. Bastava ter ensino médio completo. E o resultado superou nossas expectativas”, relatou.
A gerente destaca que muitas das pessoas contratadas pelo programa têm mais de 50 anos e apresentam alto nível de comprometimento e produtividade. “São profissionais que valorizam a oportunidade e entregam muito”, concluiu.
O programa Portas Abertas possui grande impacto na região. Desde que foi lançado, já contou com a participação de 500 comunitários no processo seletivo. Desse total, atualmente estão efetivadas 28 mulheres e dois homens.
Os investimentos em performance tiveram saltos significativos nos últimos três anos, como apontam os gráficos abaixo:

Em 2024, a MRN ampliou a oferta de cursos profissionalizantes e as ações de elevação de escolaridade na região. Com o apoio de empresas e instituições parceiras como o Komatsu Brasil, Sotreq, WLM, além de consultorias contratadas, como o Centro de Estudos Sociais Interestadual (CESI) e os Programas Educacionais da MRN, foram capacitadas 654 pessoas de comunidades locais.

A atuação da MRN junto às comunidades vai além da contratação direta. A gerente de Departamento de Relações Comunitárias da MRN, Elessandra Corrêa, destaca que o Programa de Apoio a Educação Básica (PAEB) e o Programa de Apoio ao Ensino Superior (PAES), desenvolvidos ao longo de mais de 20 anos pela MRN, têm ampliado o acesso à educação básica e superior.
“Por meio desses programas, nós contribuímos significativamente para a transformação social das famílias dos beneficiários. Essas iniciativas vão além da formação acadêmica, elas geram oportunidades e ampliam perspectivas de futuro, permitindo que os alunos concluam seus estudos e se tornem protagonistas das suas próprias histórias”, concluiu.
Investimentos conectados ao desenvolvimento sustentável
Essas iniciativas estão alinhadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4: Educação de Qualidade), que promove educação inclusiva, equitativa e de qualidade, além de oportunidades de aprendizagem ao longo da vida. Ao investir na educação local, a empresa reafirma o seu compromisso em deixar como um legado para a região o fortalecimento das pessoas, a formação de novas gerações e a construção de territórios sustentáveis.
Em 2025, a MRN investiu R$ 440.913,30 no Programa de Apoio à Educação Superior (PAES), por meio do qual foram concedidas 66 bolsas a jovens quilombolas dos territórios Boa Vista, Alto Trombetas I e Alto Trombetas II, sendo 68% das participantes mulheres. O montante investido contempla tanto o valor da bolsa mensal quanto o auxílio férias, destinado a apoiar a logística de retorno dos universitários às suas comunidades de origem.
No mesmo ano, foram investidos R$ 7.707.437,05 para os alunos dos ensinos Fundamental e Médio, via Programa de Apoio a Educação Básica (PAEB). Ao todo, foram concedidas 103 bolsas para ensino de qualidade em tempo integral, além da distribuição gratuita de material escolar e didático, reforço de conteúdo para complementar as práticas curriculares, uniformes, quatro refeições diárias e o transporte terrestre e fluvial para acesso ao Colégio Equipe, localizado na vila de Porto Trombetas. São contemplados pelo programa os territórios do Boa Vista, Alto Trombetas II e comunidades Ajudante e Batata.
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