Realizar aplicações no mercado financeiro requer encarar alguns riscos próprios da economia. Em um ano eleitoral, a influência da política tende a ser maior e ditar oscilações que impactam nos ganhos e perdas dos investidores. Nesse cenário, é preciso disciplina e conhecimento para preparar uma boa carteira de investimentos.
O head de fundos de investimentos da Ação Brasil, Leonardo Cardoso, explica que a divulgação de pesquisas eleitorais costuma afetar o humor do mercado e gerar oscilações na bolsa de valores, principalmente nos ativos de risco de curto prazo. Apesar da volatilidade, ele acredita que o ano de 2022 indica uma perspectiva de recuperação de muitas empresas brasileiras. Porém, antes de investir, é importante focar no planejamento e na saúde financeira.
“É recomendável que as pessoas utilizem dos ganhos adicionais, como 13º e férias, para sanar possíveis contas que ficaram em atraso”, diz o assessor de investimentos que aponta alguns produtos atrativos para iniciantes. “Opções como tesouro direto, bons CDB’s bancários e fundos de renda fixa de resgate rápido são interessantes para compor a carteira do investidor iniciante, sempre observando três pontos principais: risco, liquidez e rentabilidade”, orienta.
A renda fixa torna-se especialmente atrativa, pois a taxa básica de juros (Selic) tem tido ciclos de altas recentes. Leonardo Cardoso explica que a expectativa é que a taxa de juros supere os dois dígitos, podendo alcançar até 12%. Apesar dessa política representar também uma tentativa de conter a inflação, há oportunidades de ganho tanto para investidores mais arrojados quanto os mais conservadores.

“As altas consecutivas da Selic são interessantes pois os chamados 'investimentos livres de risco' como o tesouro Selic passam a ser mais rentáveis. O investidor não precisa mais expor o seu dinheiro ao risco para ter boas rentabilidades”, afirma. Os CDBs e a poupança são outros produtos disponíveis no mercado que tem a rentabilidade influenciada por esse indicador.
O contexto de corrida eleitoral pode levar muitos também a apostar em aplicações no exterior, onde é possível encontrar economias com maior estabilidade. No entanto, o head de fundos de investimentos avalia que essa opção requer maior conhecimento e um perfil mais alinhado aos riscos e oscilações das bolsas de valores.
“É importante avaliar onde está alocando seus recursos, se em bolsa, se em fundos ou mesmo em criptomoedas e também por onde está fazendo isso. Se a instituição é regulamentada e acima de tudo apta para operar no mercado estrangeiro. Muito cuidado, em momentos como esse onde virou moda investir fora do país surgem muitos golpes e empresas que se dizem atuantes do mercado financeiro, mas não tem regulamentação para tal”, finaliza Leonardo Cardoso.
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