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FUTEBOL

Xodó de Felipão, títulos e atrito com Jesus: a trajetória de Cristiano Ronaldo em Portugal

Ao longo de duas décadas defendendo Portugal, Cristiano Ronaldo conquistou a maior honraria do futebol do país: a Euro de 2016

Estadão Conteúdo

5 de novembro de 2026 às 10:42

Cristiano Ronaldo foi destaque na vitória de Portugal

Cristiano Ronaldo foi destaque na vitória de Portugal ( Foto: CARLOS COSTA / AFP )

Cristiano Ronaldo encerrou sua trajetória pela seleção de Portugal, conforme comunicado divulgado nesta quinta-feira nas redes sociais. A passagem do craque foi marcada por gols e títulos, mas também por um atrito recente com o técnico Jorge Jesus.

Em sua jornada com a camisa vermelha portuguesa, Cristiano Ronaldo registrou 234 partidas e impressionantes 146 gols. Nenhum outro atleta na história do futebol marcou tantos gols por uma seleção nacional.

A primeira celebração de gol ocorreu em 2004. A última foi registrada neste ano, na vitória por 2 a 1 contra a Croácia, durante a segunda fase da Copa do Mundo. O português acumulou 20 gols de vantagem sobre Lionel Messi, o segundo maior goleador de seleções, que se aposentou da seleção argentina há um mês.

Ao longo de duas décadas defendendo Portugal, Cristiano Ronaldo conquistou a maior honraria do futebol do país: a Euro de 2016. O camisa 7 somou ainda mais dois títulos importantes antes da aposentadoria: a Liga das Nações da Uefa de 2019 e a de 2025.

Início e Consolidação com Felipão

A marcante trajetória de Cristiano Ronaldo na seleção começou graças a um brasileiro. Luiz Felipe Scolari, em 2003, promoveu o então jovem talento do Sporting à equipe principal.

Tratado como uma revelação, o atacante substituiu Luís Figo, iniciando uma transição de gerações. Seu primeiro gol veio na estreia da Euro de 2004, na derrota para a Grécia. O craque marcou novamente na semifinal contra a Holanda. Portugal foi vice-campeão ao perder a decisão para os gregos em Lisboa.

A oportunidade dada por Scolari consolidou Cristiano Ronaldo como referência. Com Felipão, ele esteve na campanha da Copa do Mundo de 2006, onde Portugal alcançou o quarto lugar, a melhor campanha desde 1966.

A Liderança e as Conquistas

O auge da carreira de Cristiano Ronaldo com a seleção lusa ocorreu dez anos depois. Já estabelecido como estrela global, ele foi o grande líder de Portugal na conquista da Eurocopa de 2016, tanto em campo quanto fora dele.

Além da vice-artilharia e da Bola de Prata, o camisa 7 ficou marcado por uma situação dramática na final contra a França. Ronaldo sofreu uma lesão e precisou deixar o gramado no primeiro tempo. Fora de campo, ele se tornou um auxiliar-técnico participativo do treinador Fernando Santos.

Seus gestos, instruções e discursos motivacionais foram cruciais e ajudaram o time antes de Éder marcar o gol da vitória na prorrogação, decidindo a final.

O astro português repetiu o papel de protagonista nas outras duas conquistas da Liga das Nações. Em 2019, na primeira edição, Cristiano Ronaldo foi o artilheiro da fase final, com três gols na semifinal contra a Suíça e o título contra a Holanda.

Em 2025, já em fase final de carreira pela seleção, o camisa 7 balançou as redes na semifinal contra a Alemanha e na decisão contra a Espanha, vencida nos pênaltis.

Atrito e Despedida Conturbada

Toda essa trajetória de gols, títulos e legado, no entanto, terminou de maneira frustrante. Não houve alinhamento com o técnico Jorge Jesus, e a relação se tornou um atrito público, culminando no anúncio desta quinta-feira.

As divergências começaram na primeira Data Fifa com o novo comandante. Em setembro, Cristiano Ronaldo foi substituído no segundo tempo na vitória contra País de Gales e ouviu do treinador que precisava de um jogador com "mais velocidade" para pressionar a defesa rival.

A declaração antecipou a perda da condição de titular. Cristiano Ronaldo foi preterido por Gonçalo Ramos, tornando a relação com Jorge Jesus insustentável. O craque aqueceu por cerca de 30 minutos, mas não foi utilizado, contrariando um combinado prévio de gestão física, segundo o veterano.

No dia 30 de setembro, diante da situação, Cristiano Ronaldo abandonou a concentração da seleção portuguesa após uma entrevista coletiva de Jorge Jesus. Este foi o último ato do craque, que foi suspenso por 30 dias e multado pela Federação, a mesma que o reverencia nesta quinta-feira.